Segunda-feira, 18 de Junho de 2007

Onde pára o SIMPLEX?

 

O SIMPLEX levou, em 2006, a aparições trimestrais do então ministro António Costa, em que dava público conhecimento da evolução da execução deste programa.

 

Este ano a atitude tem sido diferente. Desde que foi anunciado em Janeiro, o SIMPLEX 2007 parece ter caído no esquecimento. Nada de conferências de imprensa. Nada de balanços trimestrais. Nada de propaganda governamental. Tal mudança de atitude não pode deixar de causar estranheza.

 

Não quero dizer com isto que a Unidade de Coordenação da Modernização Administrativa (UCMA) não esteja a desempenhar a sua missão de controlar a execução do programa. Estranho apenas que tenha deixado de dar notícias. E que o seu site esteja, há já algum tempo, temporariamente indisponível.

publicado por Carlos Carvalho às 01:42
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Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2007

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publicado por Carlos Carvalho às 03:23
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Sexta-feira, 26 de Janeiro de 2007

Palavra de honra

José Sócrates garantiu que o balanço do SIMPLEX é positivo. Resta-nos acreditar. Até porque, até agora, não foram apresentados os números que suportam esta afirmação.

 

Em 2006 foram feitos dois balanços da execução do SIMPLEX: ao fim do primeiro trimestre e do primeiro semestre. Ambos apresentados por António Costa. Ambos acompanhados com dados concretos sobre o “sucesso” do programa. Porquê mudar agora de actuação? Porquê não disponibilizar os dados com a mesma celeridade de então? Há mouro na costa?

 

Sócrates garantiu-nos que o SIMPLEX correu bem. Não temos dados que o confirmem. Só temos a sua palavra de honra.

 

Correcção: António Costa apresentou alguns dados na sessão de hoje, facto que inicialmente me passou despercebido. Segundo informou, 280 medidas (84%) foram concretizadas. Espera-se agora a publicação do relatório da UCMA para ser possível uma análise mais detalhada do “sucesso” do programa.

 

publicado por Carlos Carvalho às 23:27
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Segunda-feira, 16 de Outubro de 2006

Simplex em números

Das 333 medidas a tomar no âmbito do SIMPLEX, uma foi abandonada, pelo que ficaram 332 medidas para concretizar.

 

Segundo o planeado, 81 medidas (24%) deveriam ser concluídas até Junho, 43 (13%) entre Julho e Setembro e 208 (63%) entre Outubro e Dezembro. Ou seja, a maior parte das medidas (em princípio aquelas cuja implementação será mais difícil e/ou morosa) foi deixada para o último trimestre do ano.

 

Nas contas vindas a público, consideraram-se três estádios de conclusão das medidas: concluída, parcialmente concluída e por concluir. Como não sei o que são medidas parcialmente concluídas, opto por as englobar nas medidas por concluir.

 

Até ao fim de Junho foram concluídas 56 medidas (17% do total). Entre Julho e Setembro concluíram-se 44 medidas (13% do total). Ou seja, até ao fim de Setembro concluíram-se 100 medidas (30% do total), pelo que há 232 medidas (70% do total) a concluir até Dezembro.

 

Até Junho concluíram-se 55 medidas das 81 previstas, bem como uma cuja conclusão estava prevista para mais tarde. Taxa de execução: 68%. Medidas atrasadas: 26.

 

Entre Julho e Setembro concluíram-se 36 medidas das 43 previstas (taxa de execução: 84%). Concluíram-se igualmente 8 medidas das 26 atrasadas (31%). Somando as medidas previstas com as atrasadas, obtém-se uma taxa de execução de 64%. Medidas atrasadas: 25.

 

Analisando estes dois trimestres em conjunto, concluíram-se 99 das 124 medidas previstas, bem como mais uma cuja conclusão foi antecipada. Taxa de execução: 80%.

 

Conclusões:

 

1. Este tipo de análise tende a dar igual importância e igual grau de dificuldade de implementação às 332 medidas, o que é necessariamente falacioso. Penso ser correcto considerar que, de uma forma geral, as medidas mais difíceis e/ou morosas são as que têm a sua conclusão prevista para mais tarde. Estas constituem quase dois terços do total das medidas.

 

2. À entrada do último trimestre, o SIMPLEX apresentava uma taxa de execução de 80%. Ou seja, os trabalhos estão 20 pontos percentuais abaixo das expectativas do governo. É muito? É pouco? Tendo em conta que só estão concluídas 30% das medidas, penso que a resposta correcta é: é irrelevante.

 

3. O governo tem três meses para concluir 70% das medidas previstas no SIMPLEX. Ou seja, este último trimestre vai ser determinante para o sucesso ou insucesso deste programa.

 

publicado por Carlos Carvalho às 23:50
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Quarta-feira, 5 de Julho de 2006

Gordas

Este artigo, publicado na SIC online, demonstra a ligeireza com que muitas notícias são escritas em Portugal. E mostra como um governante hábil pode aproveitar essa negligência para “vender” à opinião pública o que bem entender.
 
“Nos primeiros três meses de execução do ‘Simplex’, 74 por cento das medidas estão concluídas” - lê-se nas gordas. Quem terminar a sua leitura por aqui, fica com a impressão de que o governo já implementou 246 das 333 medidas prometidas. Este seria, sem dúvida, um “balanço positivo”. Esta é, sem dúvida, a mensagem que o governo quer fazer passar.
 
Mas quem se embrenhar na leitura do artigo (aquelas letras pequenas que ocupam o resto da página) deparar-se-à com uma paisagem mais sombria.
 
Mais de um quarto das medidas prometidas no SIMPLEX estão atrasadas. Os responsáveis pelo programa não souberam prever correctamente as dificuldades que iriam encontrar. O governo não conseguiu que os seus ministérios se entendessem, nem conseguiu domar a burocracia que ele próprio gera. Isto ao fim de apenas três meses. Balanço positivo?
 
Note-se que ninguém obrigou o governo a apresentar o SIMPLEX antes de tempo, nem a comprometer-se com prazos irrealistas. O governo apresentou as medidas que quis, quando quis e definiu livremente os prazos para a sua execução. Por sua livre iniciativa, transformou o SIMPLEX numa das suas principais bandeiras. Agora que muitas coisas estão a correr mal, o mínimo que se exige é que o governo não procure bodes expiatórios, nem iludir os portugueses.
 
O ministro António Costa teve até o descaramento de afirmar que as justificações para os atrasos "são razoáveis e não mostram desleixo", assumindo simultaneamente o papel de réu e de juiz. Descaramento maior, a SIC publica acriticamente a avaliação que o ministro faz do seu trabalho.
 
Num país com uma oposição activa e uma imprensa menos engajada, o ministro não poderia ter feito as declarações que fez, com a enorme cara-de-pau com que as fez. Só que estamos em Portugal. Por isso, viva o governo, e fiquemo-nos pelas gordas.
 
publicado por Carlos Carvalho às 00:50
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Terça-feira, 28 de Março de 2006

Teste Simplex

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publicado por Carlos Carvalho às 02:06
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Complex ad aeternum

 

O parágrafo acima é apenas um dos muitos exemplos da linguagem clara e sucinta que podemos encontrar no SIMPLEX 2006 (Programa de Simplificação Administrativa e Legislativa para 2006).

 

Primeira medida de simplificação: despedir os tipos que escreveram isto!

 

 
publicado por Carlos Carvalho às 01:12
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Sexta-feira, 24 de Março de 2006

Palha e propaganda

Mais um dia, mais um anúncio. Desta vez, José Sócrates anunciou que vai implementar mais de 400 medidas contra a burocracia.

 

O que irá Sócrates fazer a seguir? Discursar mais de quatro horas contra os discursos longos? Fornecer um resumo de 400 páginas do seu discurso aos media? Empregar 400 pessoas para estudarem a diminuição do número de funcionários públicos?

 

Este anúncio fez-me lembrar os exames da universidade. Quando estava certo da resposta, respondia de forma curta e directa. Quando as certezas não abundavam, dava respostas longas, vagas e o mais abrangentes possíveis. No meio de tanta palha, alguma coisa haveria de estar certa.

 

Porquê um número tão elevado de medidas? Será que, faltando qualidade, o primeiro-ministro resolveu apostar na quantidade?

 

Adaptando uma frase conhecida: o anúncio de uma medida é para concretizar, o anúncio de 400 medidas é apenas uma estatística. E propaganda.

 

Nota: Notícia via Blasfémias

publicado por Carlos Carvalho às 01:25
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