Terça-feira, 16 de Outubro de 2007

Passageiro

Parece que Santana Lopes, tal como vinha ameaçando há meses, sempre vai avançar para a liderança da bancada parlamentar do PSD. Contando, aparentemente, com o apoio de Menezes. Aparentemente.

 

Partindo do princípio de que Menezes tem dois dedos de testa, estranha-se que este apoie para líder parlamentar precisamente a pessoa que lhe poderá fazer mais sombra dentro do PSD. Porquê então esta decisão?

 

Embora desejável, não é obrigatório que o líder parlamentar seja apoiado pelo líder partidário. Qualquer deputado pode tentar fazer uma OPA hostil à bancada parlamentar, embora seja sempre preferível que esta decorra de forma amigável.

 

É melhor para Santana avançar com o acordo de Menezes, o que lhe permite evitar fracturas partidárias e garantir uma eleição mais tranquila. É melhor para Menezes aparentar apoiar Santana, o que lhe permite apaziguar os deputados santanistas e ganhar tempo para consolidar a sua liderança.

 

Santana quer ser líder parlamentar. Pode sê-lo com ou sem o apoio de Menezes. Pelo que só restam a Menezes duas hipóteses: ou apoia Santana, passando a imagem de líder imprudente, ou se opõe à sua candidatura, passando a imagem de líder fraco.

 

Menezes esteve longe de sair do congresso com a sua liderança reforçada, pelo que tentará disfarçar ao máximo a sua irrelevância na escolha do líder parlamentar. Nesta escolha Menezes é passageiro, mas está a tentar tudo por tudo para parecer condutor.

publicado por Carlos Carvalho às 18:37
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Domingo, 14 de Outubro de 2007

PSD - versão Menezes

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publicado por Carlos Carvalho às 02:03
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PSD - versão Mendes

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publicado por Carlos Carvalho às 01:59
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Quinta-feira, 4 de Outubro de 2007

Líderes populistas

João Cravinho (PS): Simplesmente, o que o vosso líder [Cavaco Silva] está a fazer é qualquer coisa que vos deixa profundamente inquietos [ao PSD], um projecto populista que parou, que já não avança mais porque já não pode avançar mais, porque tem os seus limites, e que, ao mesmo tempo, sendo um projecto puramente populista, não se enraíza nas vossas bases e apoios orgânicos, só pode ser prejudicial a cada um de vós.

Hoje em dia, quem tem mais dúvidas sobre o governo PSD, sobre este governo, são os apoios naturais do PSD em termos de afinidade ideológica, de afinidade social-democrática, porque eles entendem que o populismo é a destruição da continuidade social-democrática. É esse o vosso grande temor. Desta vez a queda é de vez, porque já nem sequer se pode substituir o líder. Depois deste líder, é o dilúvio. Cuidado!

 

AR, 1986-12-11

publicado por Carlos Carvalho às 01:24
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Sábado, 29 de Setembro de 2007

O fim do morto-vivo

Marques Mendes era, desde o dia em que foi eleito, um líder partidário a prazo. Tomou algumas decisões acertadas, tentou moralizar o partido, ganhou autárquicas e presidenciais (apesar dele?). Mas nunca convenceu verdadeiramente o eleitorado. A oposição ao governo era fraca, e já poucos suportavam aquela sua mania de vir dizer, três vezes por semana, que era um homem íntegro, de princípios e com valores. Como se fosse o único!

 

Pessoas íntegras há muitas – vencedoras é que há poucas. Marques Mendes parece não ter percebido que a sua integridade era condição necessária mas não suficiente para ser líder do PSD.

 

Lisboa matou Marques Mendes. Este cometeu um erro crasso quando pretendeu colocar Carmona Rodrigues no mesmo saco de Valentim Loureiro e de Isaltino Morais. Uma coisa é não recandidatar um autarca cessante, outra é obrigá-lo a sair a meio do mandato. Uma coisa é afastar uma pessoa nomeada por outrem, outra é deixar cair uma pessoa escolhida por si – sobretudo quando os motivos se revelaram infundados.

 

Marques Mendes escolheu Carmona Rodrigues como candidato, depois deitou abaixo a sua maioria camarária, depois deixou de confiar nele, depois forçou a sua demissão e depois sugeriu uma alternativa (ainda) pior. Com isto perdeu a maior câmara do país. Estava à espera de sair ileso desta situação?

 

A gota de água: sendo Marques Mendes um defensor das directas, porque não preparou ele – um homem íntegro – o partido para que nenhuma dúvida se levantasse sobre a correcção do acto eleitoral?

 

Parece-me que os militantes do PSD deram uma mensagem clara ao partido: qualquer liderança é melhor do que a de Marques Mendes. Filipe Menezes poderá o não ser o melhor, mas era o único disponível, a única alternativa para matar, desde já, uma liderança que todos sabiam moribunda.

 

Haverá, neste momento, poucas esperanças de que Filipe Menezes venha a ser um líder vencedor. Mas mais valem poucas do que nenhumas. Tem agora uma margem temporal curta para fazer o que Marques Mendes não conseguiu: superar as expectativas.

publicado por Carlos Carvalho às 04:25
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Sexta-feira, 28 de Setembro de 2007

Depende

A escolha de um líder partidário através de eleições directas tem vantagens e inconvenientes. Estas têm um impacto mais prolongado na comunicação social, retiram poder aos barões do partido, obrigam os candidatos a afirmarem-se como tal e a contactar com as bases, impedem que alguém seja líder porque lhe saiu bem um discurso ou porque tenha de fazer a rodagem do carro… Espera lá! Isto são vantagens ou inconvenientes?

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publicado por Carlos Carvalho às 23:22
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Quarta-feira, 30 de Maio de 2007

Ota, estudos e questões

Ministro das Obras Públicas, Transportes e Habitação (António Carmona Rodrigues): - O projecto do novo aeroporto não foi abandonado; a localização na Ota não está em causa; a sua concretização não representa uma prioridade a curto prazo. Assim, há que consolidar todos os estudos, para ser tomada a decisão mais correcta e no momento mais oportuno. Quando assumi a pasta das Obras Públicas, haviam sido encomendados, entre 1969 e 2003, 135 estudos sobre as mais variadas vertentes ligadas ao projecto (ambientais, técnicas e financeiras). De então para cá, foi dada orientação para a realização dos seguintes estudos: análise da movimentação de solos na zona de implantação do novo aeroporto; estudo das condições de PAN-OPS - Procedures for Air Navigation Services and Operations; estudo do faseamento da construção do novo aeroporto; estudo da operação simultânea Portela/Ota; estudo da construção do novo aeroporto, sem privatização da ANA.

 

AR, 2004-3-31

 

1. Mantém Carmona Rodrigues (e o PSD) a mesma opinião sobre a localização do novo aeroporto?

2. Alguém sabe aonde pára a maioria dos estudos então anunciados?

publicado por Carlos Carvalho às 02:15
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Domingo, 6 de Maio de 2007

Marques Mendes arguido

Basta que surja uma manchete deste tipo para que Marques Mendes caia. O seu discurso moralista, que tem servido para se livrar de algumas personagens mais indesejáveis, pode a qualquer momento virar-se contra ele. Com este tipo de discurso, Marques Mendes colocou o seu futuro enquanto líder do PSD à mercê de uma calúnia, de uma suspeita, de uma denúncia anónima. Confiará Marques Mendes assim tanto na bondade de estranhos?

publicado por Carlos Carvalho às 22:51
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Sábado, 10 de Fevereiro de 2007

Risos gerais (10) – “líder”

Almeida Santos (PS) – Peço-lhe que dê ao meu partido o direito de andar um pouco distraído de alguns dos problemas nacionais, porque estamos ocupados com os nossos próprios problemas internos. É natural, isso acontece em todos os partidos, no seu está a acontecer, e estou até a lembrar-me do tempo em que o PSD queimava sucessivas chances de encontrar um líder, até que encontrou o actual e está satisfeitíssimo com ele. Ainda bem, dou-lhe os parabéns por isso! Mas lembro-me que, na altura, experimentaram quatro hipóteses e nenhuma resultou. O PSD parecia um partido espatifado e quando ganhou um líder, logo a seguir, ganhou as eleições. É o que vai acontecer connosco, quando resolvermos o problema da liderança.

(Risos gerais).

 

AR, 1992-01-16

 

publicado por Carlos Carvalho às 02:47
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Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2006

É das Escrituras

Mc 1:

4 E foi assim que João Baptista apareceu no deserto, a pregar um baptismo de conversão para o perdão dos pecados.

7 E pregava: «Depois de mim, vai chegar Alguém mais forte do que eu. E eu não sou digno nem sequer de me abaixar para desatar as suas sandálias.

 

MT 3:

13 Jesus foi da Galileia para o rio Jordão, a fim de Se encontrar com João e ser baptizado por ele.

14 Mas João procurava impedi-l'O, dizendo: «Sou eu que devo ser baptizado por Ti, e Tu vens a mim?»

15 Jesus, porém, respondeu-lhe: «Por enquanto deixa como está! Porque devemos cumprir toda a justiça». E João concordou.

 

É curioso o que se está a passar no PSD. Ainda não se vislumbra quem será o Messias, mas não faltam voluntários para desempenhar o papel de S. João Baptista. Ou de Salomé.

 

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publicado por Carlos Carvalho às 01:54
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Sexta-feira, 8 de Setembro de 2006

Pacto com laranja

PS e PSD enunciaram um pacto de regime para a justiça. Confesso que olho para estes pactos com alguma desconfiança.

 

Estes pactos podem trazer algumas vantagens para os partidos envolvidos: o do governo amansa o da oposição, ao passo que este mostra que é influente e que pode ser governo. Se o pacto correr bem, cada um dos partidos poderá cantar vitória. Se correr mal, a culpa poderá sempre ser atribuída ao outro.

 

Contudo, estes pactos podem ter alguns efeitos indesejáveis. Podem fazer com que uma reforma fique pela metade. Podem fazer com que não se discutam alternativas. Podem tornar os partidos em gémeos siameses, passando as eleições a servir apenas para escolher pessoas (e não políticas). Se as coisas correrem mal, podem criar nos cidadãos um sentimento anti-regime, o que atirará muitos deles para os braços de partidos mais radicais (ou até, no limite, para movimentos revolucionários). A pior imagem que um regime pode dar de si é a de não ser capaz de gerar alternativas.

 

Um pacto, por si só, não trará grande mal ao mundo. Mas, a bem da saúde do regime, por favor não exagerem!

 

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publicado por Carlos Carvalho às 05:33
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Sábado, 3 de Junho de 2006

Cães e signos

O PSD propôs a criação do dia nacional do cão. Convenhamos que, no meio de tantos dias comemorativos, este poderia ser mais um dia que não aquece nem arrefece. Só que, mundo cão, deu-se a esta medida um destaque desmesurado em relação ao seu objectivo.
 
Porquê tanto destaque? Será esta mais uma obra das famigeradas agências de comunicação?
 
Infelizmente, inclino-me mais para outra explicação. Se o PSD vivesse numa fúria de propostas importantes para o país, esta proposta teria passado despercebida. Só que o PSD tem vivido num estado letárgico, e quando se mexe é para apresentar propostas deste jaez...
 
Note-se que, segundo o zodíaco chinês, 2006 é o ano do cão. Assim, em defesa do PSD, diga-se que esta proposta pode ter outros objectivos, ainda que encapotados. Esta proposta pode ser um piscar de olhos à comunidade chinesa, tão perseguida recentemente por causa dos seus restaurantes. Esta proposta pode ser uma forma sub-reptícia de elogiar a liderança do PSD, reconduzida precisamente no ano do cão. Só que - hélas! - ninguém falou em underdogs...
 
Por falar em signos, Marques Mendes nasceu a 5 de Setembro de 1957, um dia antes de José Sócrates. Pelo zodíaco chinês, são ambos do signo Galo. Confirma-se o que já se suspeitava: Marques Mendes e José Sócrates são dois galos a lutar pelo mesmo poleiro...
 
publicado por Carlos Carvalho às 00:34
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Sexta-feira, 2 de Junho de 2006

Dias

   Um dia de cão

    Um dia de raiva

   Um dia a casa vem abaixo

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publicado por Carlos Carvalho às 23:35
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Quinta-feira, 16 de Março de 2006

O buraco

Marques Mendes e Ribeiro e Castro têm em comum o facto de serem líderes de partidos derrotados nas últimas legislativas. Partilham também o facto de se queixarem de oposições internas que lhes dificultam a vida e retiram brilho às suas lideranças.

 

No futebol, após uma derrota há sempre treinadores a queixarem-se do relvado, do adversário, da falta de sorte, da pouca vontade de alguns jogarem em prol da equipa, dos erros do árbitro e até do sistema. Por muito justas que sejam algumas destas queixas, estas servem sempre para camuflar o óbvio: o treinador foi incapaz de implementar uma estratégia que permitisse ultrapassar as adversidades.

 

No caso destes dois líderes, o recurso a estas desculpas tem a agravante de eles conhecerem de antemão as adversidades com o que poderiam contar. Quando assumiram a liderança, ambos sabiam que iriam herdar partidos em plena ressaca de poder e estruturados pelas lideranças anteriores. Marques Mendes e Ribeiro e Castro sabiam que não poderiam escolher com quem queriam trabalhar, sendo muitas vezes obrigados a trabalhar com quem nunca escolheriam.

 

Mesmo assim candidataram-se, julgando-se suficientemente fortes para ultrapassar estes obstáculos e sabendo-se suficientemente fracos para assumirem a liderança noutras circunstâncias. A história dos vários partidos não augura nada de bom para este tipo de líderes. Mesmo assim, Marques Mendes e Ribeiro e Castro entenderam valer a pena desafiar as probabilidades.

 

Agora não se queixem. Não afectem surpresa pelo que se está a passar. Ambos conheciam o buraco em que se meteram. Se não conseguem sair dele, a culpa não é certamente do buraco...

publicado por Carlos Carvalho às 01:06
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