Quinta-feira, 11 de Outubro de 2007

A benesse

Teixeira dos Santos anunciou que o ISP não será aumentado em 2008. Em consequência, foi noticiado que o Estado vai perder 135 milhões de euros em receitas fiscais no próximo ano. Grande benesse! Como se o Estado não estivesse a arrecadar mais impostos do que o esperado devido ao aumento do preço do petróleo!

 

Há algo de cara-de-pau nesta notícia. Se o Estado perde dinheiro por não aumentar impostos, então também eu perco milhões de euros de cada vez que não acerto no Euromilhões…

publicado por Carlos Carvalho às 23:57
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Quinta-feira, 19 de Outubro de 2006

Outra vez

Ainda está por nascer um ministro das Finanças que não fale bem do seu Orçamento. Teixeira dos Santos garante-nos que este é um Orçamento de rigor e com as contas bem feitas. Nada de novo. Aliás, nada que não fosse minimamente exigível.

 

Só que, de acordo com o Diário Económico, mais uma vez um ministro das Finanças deste governo não acertou com as contas apresentadas nos quadros do Orçamento. Esta começa a ser uma tendência preocupante: como é que governantes tão bons a usar o PowerPoint erram tanto ao elaborar um simples quadro no Word ou no Excel?

 

publicado por Carlos Carvalho às 01:45
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Sábado, 25 de Março de 2006

Seis vírgula quanto?

José Sócrates garantiu que o défice de 2005 ficou abaixo dos 6,83%, número inicialmente avançado pela já histórica comissão Constâncio.

 

Acontece que este número foi então corrigido pela mesma comissão para 6,72%, pormenor certamente já esquecido pelo primeiro-ministro.

 

O número errado foi tão usado pela propaganda socialista que, aparentemente, Sócrates já se esqueceu do número corrigido.

 

Não vale a pena voltar a bater na tecla de que este valor era apenas uma previsão e não um facto. Saliente-se apenas que este lapso parece confirmar o que então se suspeitava: relativamente ao défice, este governo prefere a propaganda à realidade.

publicado por Carlos Carvalho às 04:37
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Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2005

Faltas e Orçamentos

Eis a lista dos deputados do PS que faltaram à votação final global de orçamentos anteriores:

Orçamento rectificativo de 2005 (2005-07-06):
Nuno André Araújo dos Santos Reis e Sá

Orçamento rectificativo de 2004 (2004-12-02):
Luís Alberto da Silva Miranda
Luís Manuel Carvalho Carito
Luísa Pinheiro Portugal
Vicente Jorge Lopes Gomes da Silva

Orçamento de 2004 (2003-11-21):
Alberto Arons Braga de Carvalho
João Barroso Soares
Manuel Alegre de Melo Duarte
Maria de Belém Roseira Martins Coelho Henriques de Pina
Rui António Ferreira da Cunha

Orçamento de 2003 (2002-11-14):
Francisco José Pereira de Assis Miranda

Orçamento rectificativo de 2002 (2002-05-15):
Laurentino José Monteiro Castro Dias

Orçamento rectificativo de 2001 (2001-06-29):
Alberto Bernardes Costa
Emanuel Silva Martins
Manuel Alegre de Melo Duarte

Orçamento de 2001 (2000-11-29):
José Eduardo Vera Cruz Jardim

Orçamento de 2000 (2000-03-15):
José Alberto Rebelo dos Reis Lamego

Orçamento rectificativo de 1999 (1999-12-09):
Alberto Bernardes Costa
Artur Rodrigues Pereira dos Penedos
João Rui Gaspar de Almeida
José Manuel Santos de Magalhães
Ricardo Manuel Ferreira Gonçalves

Orçamento de 1999 (1998-12-11):
José Alberto Cardoso Marques
José Pinto Simões Luís Pedro de Carvalho Martins
Manuel Martinho Pinheiro dos Santos Gonçalves
Raul d'Assunção Pimenta Rego
Rui Manuel Palácio Carreteiro

Orçamento de 1998 (1997-11-14):
Carlos Manuel Luís
Fernando Garcia dos Santos
José Carlos Lourenço Tavares Pereira
José Manuel de Medeiros Ferreira
Manuel Alegre de Melo Duarte
Manuel António dos Santos
Maria Jesuína Carrilho Bernardo
Mário Manuel Videira Lopes
Raúl d'Assunção Pimenta Rêgo

publicado por Carlos Carvalho às 03:01
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Quarta-feira, 9 de Novembro de 2005

Votos contra e a favor

Nicolau Santos disse (na SIC Notícias) não compreender a oposição do PSD ao Orçamento. Afirmou até que o PSD facilmente votaria a favor deste Orçamento se fosse governo.

Se é verdade que o PSD facilmente votaria a favor deste orçamento se fosse governo, também é verdade que o PS facilmente votaria contra este orçamento se fosse oposição.

As oposições são incongruentes? Problema delas.
O governo é incongruente? Problema nosso.

Se os orçamento do PS em nada se distinguem dos do PSD, conclui-se então que os ataques do PS aos anteriores governos eram sobretudo de índole pessoal.

Parece que, para o PS, os governos anteriores eram maus. Não por causa das suas políticas, mas apenas por não terem lá a sua gente.

publicado por Carlos Carvalho às 22:54
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Segunda-feira, 24 de Outubro de 2005

Verdades e Orçamentos

"Este é um Orçamento de verdade e com consciência social."
Campos e Cunha (ministro das Finanças), 2005-07-06

"Este é um Orçamento com crédito e não desacreditado."
Bagão Félix (ministro das Finanças), 2004-11-17

"[A proposta de lei de Orçamento do Estado] trata-se de uma proposta rigorosa e transparente, que nos permite retomar o caminho certo, longe dos atalhos por onde andámos perdidos no passado recente."
Manuela Ferreira Leite (ministra das Finanças), 2002-10-23

"O Orçamento consagra uma política financeira assente numa leitura muito rigorosa, com previsões cautelosas e realistas, e virada para um futuro de consolidação do Pacto de Estabilidade e Crescimento."
Guilherme d'Oliveira Martins (ministro das Finanças), 2001-11-09

"A aprovação do Orçamento do Estado, que exprime, com todo o rigor e fidelidade, todos os compromissos eleitorais com os quais o PS obteve 44% dos votos dos portugueses e 115 Deputados, é um acto de respeito por essa vontade livre do eleitorado, manifestada apenas há 4 meses e 8 dias. E ainda bem que o Orçamento do Estado vai ser aprovado, porque este é um bom Orçamento do Estado!"
Pina Moura (ministro das Finanças), 2000-02-18

"É um Orçamento de verdade, pois não fizemos aqui, diferentemente do que aconteceu em outros países, contabilidade criativa."
Sousa Franco (ministro das Finanças), 1996-11-13

publicado por Carlos Carvalho às 01:55
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Quarta-feira, 19 de Outubro de 2005

Receitas extraordinárias

"Sr. Deputado, quanto ao Orçamento que vamos apresentar, diz V. Ex.a que ele estará cheio de receitas extraordinárias. Ó Sr. Deputado, isso era antes. Agora, não! Nós já dissemos que o próximo Orçamento não terá receitas extraordinárias. Dissemo-lo no PEC (Programa de Estabilidade e Crescimento) e dissemo-lo publicamente, pelo que posso tranquilizá-lo quanto a isso."
José Sócrates, 2005-09-21

"O Estado prevê arrecadar 1.563 milhões de euros em receitas de privatizações durante o próximo ano, mais 163 milhões de euros do que o valor consignado no PEC. A nova verba representará 1,1% do PIB."
Diário Económico - Especial Orçamento 2006, 2005-10-18

publicado por Carlos Carvalho às 01:46
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Terça-feira, 11 de Outubro de 2005

Vince

vince.jpg

Vem aí o Orçamento...

publicado por Carlos Carvalho às 00:15
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Sexta-feira, 1 de Julho de 2005

Uma gralha na Bíblia

O governo enganou-se nos dados apresentados num dos quadros do Orçamento de Estado. Parece agora que a comissão Constâncio também se enganou a somar parcelas na sua previsão do défice: afinal os 6,83% deveriam ser 6,72%. Em ambos os casos estes enganos foram menosprezados por quem se enganou, justificando-os como gralhas ou simples incorrecções.

O que o governo e o Banco de Portugal parecem não compreender é que o problema não está no erro em si. O problema está na importância dos documentos, bem como no rigor com que supostamente foram elaborados.

Uma coisa é cometer um erro num rascunho informal. Outro é cometê-lo num documento oficial e importante, sobretudo quando os seus autores se gabaram previamente do rigor que usaram na sua elaboração.

Se um escritor conceituado enviar para a sua editora um texto com uma gralha ou com um erro ortográfico, não vem daí grande mal ao mundo. Mas se essa gralha ou esse erro constar no texto final disponibilizado ao público, o leitor retirará as suas conclusões sobre a qualidade do processo de revisão da obra.

Não consta que as tábuas da lei que Moisés recebeu de Deus contivessem gralhas. Porque de duas uma: ou as gralhas passariam a ser a norma (passando o erro a ser lei); ou então ficaria provado que Deus também se engana, deixando por isso de poder ser levado demasiadamente a sério.

publicado por Carlos Carvalho às 01:04
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Terça-feira, 28 de Junho de 2005

O fim do embuste?

Com o Orçamento Rectificativo, termina um "embuste" e "ganha a verdade e a transparência", afirmou José Sócrates. O documento, garantiu o primeiro-ministro, é "um Orçamento de verdade e de transparência". Com ele, "os portugueses ficam a saber a verdade sobre as contas públicas e termina um dos mais monumentais embustes - o Orçamento passado".
DN, 2005-06-27

O Ministério das Finanças esclarece que encontrou algumas incorrecções num dos quadros do documento [Orçamento Rectificativo]. (...) O Orçamento Rectificativo para 2005 pode agora ser alvo de uma nova rectificação.
SIC Online, 2005-06-27

publicado por Carlos Carvalho às 01:44
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Quarta-feira, 25 de Maio de 2005

Habilidade

A comissão Constâncio apresentou finalmente o valor da previsão do défice para 2005: 6,83%. Certamente que não recorreram àquela habilidade habitual na eleboração de orçamentos: apresentar valores até aos cêntimos para dar um ar de maior rigor nas contas.

Este número dá-nos uma ideia do valor que o défice atingiria no final do ano se o governo, como até agora, nada fizesse para o combater. Sendo uma previsão, porquê dar-lhe tanta importância?

A sua importância é sobretudo política. Sócrates sabe que, sem este número, o seu desempenho orçamental no final do ano seria comparado com o do governo anterior. E a verdade é que, apesar de tudo, o governo anterior conseguiu apresentar um défice abaixo dos 3%.

É praticamente certo que Sócrates não vai conseguir conter o défice abaixo dos 3%. Restavam-lhe assim duas alternativas: ou se comparava com o governo anterior (e perdia), ou arranjava um valor mais elevado, ainda que virtual, que lhe permitisse ficar bem na fotografia.

Sócrates não poderá dizer que fez melhor do que o governo anterior, pelo que tentará dizer que não se portou tão mal quanto o esperado.

Já não restam dúvidas: o homem é mesmo habilidoso!

publicado por Carlos Carvalho às 03:01
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