Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007

Faz falta

Possível conversa entre o presidente da câmara de Lisboa e o seu vereador do ambiente:

 

- Lembras-te de todo aquele dinheiro que a câmara teve de gastar a mais por causa da tua obsessão com o túnel do Marquês?

- Sim, mas porquê?

- É que agora faz falta, ó Zé, faz falta…

publicado por Carlos Carvalho às 23:52
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Sexta-feira, 8 de Junho de 2007

Não vou votar

Não vou votar em António Costa, Helena Roseta ou Fernando Negrão porque são paraquedistas autárquicos, que tanto se candidatam a Lisboa como a Loures, a Cascais ou a Setúbal. Qualquer autarquia serve, desde que sirva os seus interesses políticos.

 

Não vou votar em Carmona Rodrigues porque, politicamente, é um corno manso. Pode até inspirar pena, mas nunca respeito ou admiração.

 

Não vou votar em Sá Fernandes porque, no caso mais mediático em que interveio, estatelou-se ao comprido na função que se propôs desempenhar. Enganou-se. Custou tempo e dinheiro. Não teve tomates nem carácter para pedir desculpa. Mais valia que lá não estivesse.

 

Não vou votar em Telmo Correia, a quem mandaram para Lisboa como o poderiam ter mandado para outro sítio – e ele ia.

 

Não vou votar em Ruben de Carvalho porque não aprecio nem as suas convicções nem o seu estilo.

 

Não vou votar nas outras nulidades que se candidataram, precisamente por serem nulidades.

 

Não vou votar porque vou estar de férias. Mas mesmo que estivesse em Lisboa também não iria votar.

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publicado por Carlos Carvalho às 21:07
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Sexta-feira, 1 de Junho de 2007

O Zé faz falta…

…Não tarda muito está a levar um amarelo.

publicado por Carlos Carvalho às 20:09
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Referendo

O tema do novo aeroporto tem sido amplamente discutido por todos os candidatos à câmara lisboeta. António Costa defende a Ota. Todos os outros parecem contestá-la.

 

É bom que se discuta este tema. Mas convém não transformá-lo no único tema da campanha. Por um lado, porque há mais temas importantes para Lisboa que carecem de discussão. Por outro, porque corremos o risco de transformar a próxima eleição num referendo sobre a Ota.

 

Independentemente do que agora se diga, quem ganhar as eleições irá sempre procurar retirar outras leituras dos resultados eleitorais. Se António Costa ganhar as eleições, e se a Ota for o tema central da campanha, não faltará quem venha afirmar que os lisboetas legitimaram nas urnas a posição do governo sobre o novo aeroporto.

publicado por Carlos Carvalho às 02:10
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Quarta-feira, 30 de Maio de 2007

Ota, estudos e questões

Ministro das Obras Públicas, Transportes e Habitação (António Carmona Rodrigues): - O projecto do novo aeroporto não foi abandonado; a localização na Ota não está em causa; a sua concretização não representa uma prioridade a curto prazo. Assim, há que consolidar todos os estudos, para ser tomada a decisão mais correcta e no momento mais oportuno. Quando assumi a pasta das Obras Públicas, haviam sido encomendados, entre 1969 e 2003, 135 estudos sobre as mais variadas vertentes ligadas ao projecto (ambientais, técnicas e financeiras). De então para cá, foi dada orientação para a realização dos seguintes estudos: análise da movimentação de solos na zona de implantação do novo aeroporto; estudo das condições de PAN-OPS - Procedures for Air Navigation Services and Operations; estudo do faseamento da construção do novo aeroporto; estudo da operação simultânea Portela/Ota; estudo da construção do novo aeroporto, sem privatização da ANA.

 

AR, 2004-3-31

 

1. Mantém Carmona Rodrigues (e o PSD) a mesma opinião sobre a localização do novo aeroporto?

2. Alguém sabe aonde pára a maioria dos estudos então anunciados?

publicado por Carlos Carvalho às 02:15
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Segunda-feira, 28 de Maio de 2007

Me engana que eu gosto

António Costa admitiu a criação de um segundo pulmão verde na Portela, na área agora ocupada pelo aeroporto. Lendo a notícia com algum cuidado, percebe-se que António Costa admite tratar os lisboetas como idiotas. Vejamos:

 

– Apesar das aparências, António Costa não só não prometeu o tal segundo pulmão verde como nem sequer deu o seu apoio a essa solução. Disse apenas que esta era uma hipótese a ser estudada e, desconfio, a ser rapidamente descartada após as eleições.

 

– António Costa admitiu a instalação na zona de “um conjunto de actividades económicas não poluentes altamente qualificadas”. Ficámos esclarecidos: isto não quer dizer nada, e serve para tudo.

 

– António Costa sabe (mas não diz) que parte relevante dos terrenos da Portela servirá de moeda de troca para financiar a construção do novo aeroporto. Terrenos que obviamente terão de ser rentabilizados. Desconfio que a criação de um pulmão verde não será a melhor forma de os rentabilizar.

 

Com estas declarações, António Costa quis, não se comprometendo com nada, fazer passar três ideias: que a desactivação do aeroporto da Portela é uma fatalidade (pelo que nem sequer vale a pena discuti-la), que se preocupa com o ambiente (sem se comprometer com a sua defesa) e que tem planos para a Portela (quando salta à vista que não tem planos nenhuns – pelo menos confessáveis neste momento).

 

Afectar um ar decidido. Aparentar prometer algo. Iludir os eleitores. Ficar livre para, em caso de vitória, poder fazer o contrário do que aparentou prometer. Eis António Costa no seu melhor.

 

Me engana que eu gosto.

publicado por Carlos Carvalho às 23:37
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Sexta-feira, 25 de Maio de 2007

Maior do que Mendes

Suponhamos que uma determinada fábrica descobre que colocou no mercado um lote avariado. Mandam as boas práticas que alerte os consumidores do seu erro, que retire o lote do mercado e que garanta que tudo será feito para que o erro não se volte a repetir. Só este comportamento permitirá, a longo prazo, que a fábrica mantenha a sua credibilidade no mercado. Só que, a curto prazo, este anúncio gerará necessariamente alguma desconfiança.

 

Consideremos que Marques Mendes é a fábrica, e Carmona Rodrigues o lote que a fábrica decidiu retirar do mercado. A longo prazo (e a confirmar-se a avaria), Marques Mendes verá a sua credibilidade reforçada. Mas, a curto prazo, é natural que o eleitorado desconfie das suas escolhas – sobretudo se não vislumbrar melhorias no processo de selecção.

 

Pertencendo as eleições intercalares ao domínio do curto prazo, só haveria uma forma do eleitorado não punir o PSD: se este escolhesse um candidato maior do que Marques Mendes, isto é, um candidato com virtudes e capacidades de tal modo evidentes que não necessitassem do selo de qualidade do líder do partido.

 

Não foi isso que sucedeu. Marques Mendes escolheu Fernando Negrão, escolha que está longe de ser óbvia. Porque é que Negrão é um bom candidato para Lisboa? Porque Marques Mendes disse que sim? Lamento, mas não chega.

publicado por Carlos Carvalho às 04:11
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Quarta-feira, 16 de Maio de 2007

De cavalo para burro

Diz-se que ninguém passa alegremente de cavalo para burro, pelo que tenho alguma dificuldade em perceber a dança das cadeiras a que assistimos ontem.

 

O n.º 2 do governo abandona o seu ministério para se candidatar a uma câmara municipal? Um juiz do Tribunal Constitucional (TC) abandona o seu posto para passar a ministro? Não compreendo. Mas, fazendo um esforço, ocorrem-me apenas três hipóteses para justificar este corrupio:

 

1. Ser presidente da Câmara Municipal de Lisboa é mais importante do que ser ministro e n.º 2 do governo. Ser ministro é mais importante do que ser juiz do TC.

 

2. Estas trocas ocorreram não por vontade dos próprios, mas por obediência a um superior hierárquico.

 

3. Mais vale burro que me carregue do que cavalo que me derrube.

publicado por Carlos Carvalho às 00:44
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Segunda-feira, 14 de Maio de 2007

Verão quente

- Parece que vem aí um Verão quente. Já decidiste aonde o vais passar?

- Não sei… Talvez em Lisboa.

publicado por Carlos Carvalho às 00:23
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O túnel

Tenho do túnel do Marquês a mesma opinião que sempre tive: é apenas mais um túnel, que, como todos os outros, procura resolver alguns problemas de circulação rodoviária num local anteriormente congestionado. Nunca o tive como a oitava maravilha do mundo. Mas também nunca me pareceu que fosse uma obra demoníaca a que todas as pessoas de boa vontade se deveriam opor.

 

Confesso que, inicialmente, estranhei tanta polémica em torno da sua construção. Mas rapidamente percebi que a contestação não era (apenas) dirigida ao túnel, mas a toda e qualquer iniciativa que partisse de um executivo camarário apócrifo e usurpador.

 

Falar mal de tudo o que mexe – eis a estratégia da oposição camarária nos últimos anos. Alguns, como Sá Fernandes, adoptaram mesmo uma posição mais radical: processar tudo o que mexe! Este, que nunca hesitou em colher os louros quando as suas queixas foram justas, parece não ter a decência de reconhecer publicamente os seus equívocos quando estes se tornam evidentes. Enfim, um homem de carácter. Só falta mesmo vir agora a público criticar a derrapagem de custos e prazos de construção do túnel.

 

Quanto a mim, fico à espera que Sá Fernandes & Ca. devolvam aos portugueses o dinheiro dos impostos que, graças à sua berraria, se gastou a mais nesta obra. Ou, pelo menos, que lhes peçam desculpa por terem causado tamanho desperdício.

publicado por Carlos Carvalho às 00:15
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Quinta-feira, 10 de Maio de 2007

Sem ilusões

Assisti apenas uma vez a uma sessão da Assembleia Municipal de Lisboa, ainda no tempo de Santana Lopes. Fiquei esclarecido.

 

A sessão começou com o período de intervenções do público, ideia interessante mas desvirtuada pelos intervenientes, que (suspeito) pouco tinham que ver com o público e que se limitaram a lamber as botas ao presidente da câmara.

 

Passou-se de seguida à discussão das propostas agendadas. O descalabro foi total. Gritaria. Apupos. Insultos. Cortes da palavra. Falta de educação. De pouco serviram os apelos do presidente da Assembleia à calma. De nada serviram as suas ameaças de suspender a sessão ou de mandar evacuar a sala.

 

Já não me lembro do que estava em discussão nesse dia. Lembro-me apenas do ar envergonhado do polícia que vigiava a assistência, ar de quem pedia desculpa pelo triste espectáculo a que todos estávamos a assistir. “Isto é sempre assim”, “Às vezes é bem pior”, exclamava baixinho o dito polícia, como se fosse ele o culpado pelo nível inacreditavelmente baixo do debate.

 

A cereja foi colocada em cima do bolo aquando da votação. Todas as propostas – todas! – foram aprovadas com os votos favoráveis do PSD e com a abstenção de toda a oposição. Tanta algazarra e nem sequer um único voto contra! E se estivessem em discussão temas realmente importantes e fracturantes? Comiam-se vivos?

 

Tão cedo não volto a pôr os pés numa destas sessões. Há coisas que só voltamos a fazer se formos obrigados. Uma vez bastou-me para poder avaliar o tipo de gente que governa esta cidade, e o tipo de tácticas a que estão dispostos a recorrer.

 

Fala-se agora em eleições intercalares. Fala-se na necessidade de renovar os responsáveis autárquicos. De devolver dignidade ao governo da cidade. Fala-se. Por mim, confesso não ter grandes ilusões.

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publicado por Carlos Carvalho às 23:02
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Quinta-feira, 26 de Abril de 2007

Radares

Não há quem não tenha ouvido falar nos radares que a Câmara Municipal de Lisboa (CML) mandou instalar em várias artérias da cidade. Estavam ainda em período experimental e já os media transbordavam de notícias sobre os milhares de “aceleras” apanhados, e que após esse período não deixariam de ser punidos exemplarmente.

 

Esta iniciativa tinha as suas vantagens: punha a fiscalização à vista e a actuar sobre todos, acabando com os radares escondidos, com as acusações de “caça à multa” e com o sentimento de injustiça de sermos multados a 100 à hora numa estrada em que os que nos ultrapassam a 150 ou a 200 ficam habitualmente impunes. Mas, acima de tudo, pareceu-me um método eficaz para atingir o principal objectivo a que se propunha: diminuir a velocidade média de circulação em certos “pontos negros” das estradas lisboetas, o que contribuiria necessariamente para reduzir a sinistralidade.

 

Mas a coisa correu mal. Primeiro foi a falta de certificação dos aparelhos. Estes precisavam de ser aferidos pelas entidades competentes, para se ter a certeza de que as velocidades registadas correspondiam às velocidades reais. Em seguida surgiram conflitos com a legislação que protege os nossos dados pessoais. Resultado: muitos radares foram desligados, e os que funcionam não podem registar as infracções que detectam. Dinheiro deitado ao lixo?

 

Há duas maneiras de olhar para todo este episódio. Podemos vestir a camisola da CML, lamentando a forma como as suas tentativas de defender os cidadãos esbarram na burocracia e nas regras bizantinas impostas pelo Estado. Ou podemos criticar a CML por gastar o dinheiro dos contribuintes numa iniciativa sem cuidar de saber se esta teria cobertura legal.

 

Eu escolho a segunda posição. Tudo pode não ter passado de uma trapalhada – o que é grave. Mas mais grave ainda é este episódio servir na perfeição para ilustrar o que aparenta ser uma tendência crescente no nosso país: a ânsia de controlar os cidadãos parece estar a ganhar primazia sobre a vontade de cumprir a Lei.

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publicado por Carlos Carvalho às 04:16
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Quinta-feira, 29 de Março de 2007

Ventoinhas no castelo

Não há defensor do ambiente que não diga defender o princípio do poluidor-pagador. Não é justo que quem polui o faça impunemente, ou que transfira para outros os malefícios da sua poluição. Por maioria de razão, este princípio deveria ser extensível aos consumidores de energia.

 

Tomemos o caso dos parques eólicos. Quem vai consumir a energia por eles gerada? Não deveriam eles estar o mais próximo possível de quem deles usufrui? Não deveriam ser estes a acarretar com a poluição visual, com a degradação da paisagem?


Não é isto que, regra geral, tem acontecido. As ventoinhas gigantes são normalmente instaladas em sítios ermos, muitas vezes protegidos, onde nada mais se permite fazer. Onde, para quem por lá mora, é praticamente impossível instalar uma pequena indústria, uma pequena empresa (a poluição! Meu Deus, a poluição!) que gere empregos e beneficie a economia local. Não deixa de ser irónico: os habitantes locais não podem corromper a paisagem para benefício próprio, mas permite-se a sua degradação se isso significar um benefício para as cidades vizinhas…

 

Claro que, para instalar um parque eólico, é preciso antes de mais encontrar um sítio alto, ventoso. Ora, vento é que não falta em Lisboa. Nem colinas. Não deveria a população lisboeta consumir energia “limpa”? Não deveria Lisboa contribuir para a sua produção?

 

Em coerência, quem se poderá opor à instalação de um parque eólico no alto do Parque Eduardo VII, no castelo de S. Jorge ou na vizinhança do Cristo-Rei?

 

publicado por Carlos Carvalho às 03:58
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Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2007

Revolução

Washington’s gifts were not immediately evident. He seemed unable to win battles, not that he had much help from troops always ready to desert, or from the corrupt Continental Congress that kept him ill-supplied. “On our side,” he wrote Congress in September 1776, “the wars should be defensive.” He had little choice. He was in constant retreat, which annoyed his glory-hunting aide. But Washington was winning in his own way. If he could hold together his army long enough, the British would tire and go home. In the end, only Washington’s majestic presence kept the army together. He was also lucky in is British counterparts: mediocrities to a man. (One British observer noted, “Any general in the world other than General Howe would have beaten General Washington; and any general in the world other than General Washington would have beaten General Howe.”). Finally, the French fleet came to Washington’s aid at Yorktown, and that was the end of that revolution.

 

Gore Vidal – “Inventing a Nation”

 

Esta passagem, referente à revolução americana, poderia também aplicar-se à Câmara Municipal de Lisboa. Carmona é um general medíocre, e que só está onde está porque derrotou medíocres. Na actual batalha pelo controlo da autarquia lisboeta – batalha de medíocres – Carmona sabe que tem a seu favor a passagem do tempo. Resta-lhe por isso tentar resistir. Mas, para isso, precisa de duas coisas: de ter carisma suficiente para aguentar as tropas, e de reforços (do partido) que venham em seu auxílio. Coisas que estão longe de estarem asseguradas.

 

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publicado por Carlos Carvalho às 23:14
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Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007

Três meses

Dois vereadores lisboetas, constituídos arguidos, decidiram suspender os seus mandatos por três meses. Porquê três meses?

 

Faz parte das regras de boa conduta que um titular de um cargo público, quando acusado de comportamento menos correcto, deve afastar-se do seu cargo (demitindo-se ou, quando possível, suspendendo o seu mandato) até ao esclarecimento da situação. Esta regra tem os seus méritos: permite preservar a dignidade do cargo, permite que o acusado se possa concentrar na sua defesa e permite que a investigação prossiga sem empecilhos e sem preocupações com eventuais efeitos colaterais.

 

Mas nem tudo é perfeito. Esta regra só funciona se todas as partes obedecerem a um padrão mínimo de honorabilidade. Se as investigações ficarem concluídas em tempo útil. E se ficar demonstrado que quem acusa tem quase sempre razão.

 

Levada ao extremo, esta regra faz com que um homem honesto esteja sempre à mercê de canalhas. “Quero afastar fulano do seu cargo? Fácil: basta-me acusá-lo de qualquer coisa…”

 

Esta situação poderá ocorrer quando a acusação parte dos pares do acusado, ou daqueles cujos interesses são atingidos pela sua actuação. Duvido que ocorra quando a acusação parte da máquina judicial. Nestes casos, o afastamento do acusado pode tornar-se pernicioso se a Justiça for lenta, e se existir uma fraca correlação entre acusações e condenações.

 

Os exemplos, convenhamos, não são famosos. Tem havido, nas últimas décadas, um número razoável de políticos a contas com a Justiça. Mas quase nenhuma condenação – pelo menos nos casos mais mediáticos. Uns viram-se obrigados a abandonar a vida pública durante anos a fio – alguns mesmo definitivamente – à espera (de Godot?) que a Justiça os inocentasse. Outros aguardaram julgamento no centro de um turbilhão mediático (fugas cirúrgicas ao segredo de justiça, devassa da vida privada, etc.) para, após o julgamento, se constatar que a montanha pariu um rato e que nada do que se disse sobre eles fazia afinal sentido.

 

Temos, antes de defendermos o afastamento de um titular de um cargo público a contas com a Justiça, que responder a uma pergunta: a Justiça tem sido certeira quando acusa?

 

Com a sua auto-suspensão por três meses, os vereadores lisboetas introduziram uma inovação na regra do afastamento – o que seria inadmissível se a reputação da Justiça estivesse imaculada. Este prazo é – parece-me – um ultimato à Justiça: esta tem três meses para esclarecer a situação. Se o não fizer, os vereadores regressarão aos seus cargos sem que, no seu entender, possam ser criticados. E quem os criticará?

 

publicado por Carlos Carvalho às 02:22
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Sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2007

O Parque e o Casino

No fim-de-semana passado fui ao Casino de Lisboa. Casa cheia. Gente jovem. Ambiente simpático. Excelente aproveitamento de um edifício abandonado desde a EXPO’98. Em suma: um sucesso.

 

Olha-se para o Parque Mayer e o contraste não pode ser maior. Vai caindo aos bocados de tanto o quererem salvar. O casino foi inicialmente pensado para aqui, mas teve de mudar de lugar por causa da pressão de muita gente bem pensante. Gente sempre disposta a prestar vassalagem ao politicamente correcto. Viu-se com que resultados.

 

Penso que é tempo de confrontar esta boa gente com o que então defendeu, e perguntar: Exactamente porquê que o casino não podia ficar no Parque Mayer? Exactamente que benefícios trouxe ao Parque Mayer a instalação do casino noutro lugar?

 

O Parque Mayer morreu há muito. Compreende-se que muitos tenham gostado dele em vida. O que não se compreende é que, por causa dessa afeição, tentem a todo o custo impedir que se enterre o cadáver.

 

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publicado por Carlos Carvalho às 01:24
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