Quinta-feira, 9 de Novembro de 2006

Mal menor

Receita democrata para a vitória: mais pragmatismo, menos ideologia, ataque concertado à condução da guerra no Iraque (e não à guerra em si).

 

Perante esta vitória, e perante a previsibilidade de vir a ser intimado a depor no Congresso, David Rumsfeld optou pelo mal menor: demitiu-se.

 

Esta demissão contentou democratas e republicanos. Os primeiros podem cantar vitória. Os segundos podem respirar de alívio: livraram-se de uma investigação que atrapalharia a presente administração e prejudicaria o próximo candidato republicano à Casa Branca.

 

Com Rumsfeld de fora logo no dia a seguir à sua vitória eleitoral, os democratas perderam um dos seus principais alvos. Deixaram também de poder ser apenas do contra, para passarem a ter de expor as suas alternativas para o Iraque.

 

É que, para o bem e para o mal, os democratas serão co-responsáveis por tudo o que de agora em diante acontecer no Iraque.

 

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publicado por Carlos Carvalho às 03:23
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Macaca

 

George Allen (senador republicano da Virgínia) parecia encaminhado para uma reeleição tranquila. No entanto, com um comentário infeliz (dirigido a um apoiante da candidatura adversária) deitou fora toda a tranquilidade a que poderia aspirar.

 

É previsível que o vencedor da corrida para senador só seja declarado daqui por umas semanas, após uma lenta recontagem dos votos. Para já, a vantagem pertence a James Webb, candidato democrata. Caso esta vantagem se confirme, confirmar-se-à também o controlo do Senado pelo Partido Democrata.

 

Perder o Senado por causa de um comentário infeliz? E após uma recontagem de votos demorada? Será caso para dizer: grande macaca!

 

 

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publicado por Carlos Carvalho às 02:54
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Quarta-feira, 8 de Novembro de 2006

Nancy n.º 3

Com a tomada da câmara dos representantes pelos democratas, presume-se que Nancy Pelosy venha a ser escolhida como Speaker (líder da câmara). Esta é a primeira vez que o cargo é ocupado por uma mulher.

 

Sendo o/a Speaker a terceira figura do regime (segunda na linha de sucessão, logo após o vice-presidente), Nancy Pelosy torna-se assim na mulher que mais alto chegou na hierarquia americana.

 

Caiu mais uma barreira.

 

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publicado por Carlos Carvalho às 04:51
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Joe Lieberman

Joe Lieberman, antigo candidato democrata a vice-presidente americano (ao lado de Al Gore), foi reeleito senador. Esta foi uma das maiores derrotas do Partido Democrata nestas eleições.

 

Apesar de ter sido uma das figuras mais gradas do seu partido, as suas posições “moderadas” (apoiou a guerra no Iraque, opôs-se ao casamento gay, admitiu a privatização da segurança social, etc.) tornaram-no persona non grata para muitos democratas mais “progressistas”. Estes moveram-lhe uma luta feroz, o que fez com que perdesse as primárias do seu estado para Ned Lamont, um democrata mais radical.

 

Em consequência, Lieberman decidiu sair do partido e candidatar-se como independente, o que levou a que fosse atacado por muitos dos seus antigos colegas. Apesar de dizer que, se reeleito, nunca alinharia com o Partido Republicano, acabou por ganhar as eleições graças ao voto de muitos republicanos (que o preferiram ao seu próprio candidato). A vingança serve-se fria.

 

A vitória de Lieberman pode ilustrar o que parece ser a tendência desta noite eleitoral: a vitória dos democratas deve-se aos moderados, não aos radicais. O Partido Democrata parece estar a posicionar-se mais ao centro, e, ao fazê-lo, afastou muitos dos republicanos mais moderados. Como resultado, o Partido Republicano parece estar agora mais encurralado à direita.

 

As coisas estão a mudar na América. Mas talvez não estejam a mudar tanto como alguns desejariam…

 

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publicado por Carlos Carvalho às 04:22
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Terça-feira, 7 de Novembro de 2006

Dinheiro e votos

“Son, if you can't take their money, drink their whiskey, screw their women, and then vote against 'em, you don't deserve to be here.“

 

Citação atribuída a Sam Rayburn (Speaker of the House), ca. 1950, tendo por interlocutor um congressista recém-eleito que não queria votar de acordo com o partido para não contrariar os principais financiadores da sua campanha.

 

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publicado por Carlos Carvalho às 22:49
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