Quinta-feira, 29 de Março de 2007

Partido partido

Um pequeno exemplo do estado das coisas no CDS-PP. Aqui.

 

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publicado por Carlos Carvalho às 02:30
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Quinta-feira, 22 de Março de 2007

Prostitutas

Salomão deve muita da sua fama a duas prostitutas. Reclamando ambas a maternidade da mesma criança, estas resolveram apresentar o seu caso a Salomão.

 

“Corte-se a criança ao meio” – sentenciou Salomão, na esperança de que uma das prostitutas mostrasse mais amor pela criança do que pela sua posse. O que veio a acontecer. Enquanto que uma das prostitutas fez finca-pé na sua posição (“se não é para mim também não é para ninguém”), outra desistiu dos seus intentos (“prefiro entregá-la do que matá-la”). Salomão concluiu que aquela que recuou era a verdadeira mãe, e entregou-lhe a criança. Decisão que atravessou os tempos, e que nos faz louvar ainda hoje a sabedoria o sentido de justiça de Salomão.

 

Por vezes interrogo-me sobre o que teria feito Salomão se nenhuma das prostitutas tivesse recuado. Mataria a criança? Entregá-la-ia a outrem? Não sei. Mas desconfio que não permitiria que convivesse com prostitutas insensatas. Nem com dirigentes do CDS-PP.

 

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publicado por Carlos Carvalho às 20:32
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Este PP não tem emenda?

Nogueira Pinto abandona CDS ao fim de dez anos no partido.

 

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publicado por Carlos Carvalho às 00:36
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Terça-feira, 20 de Março de 2007

Duelo

Ao anunciar o seu regresso nos termos e no tempo em que o fez, Paulo Portas passou um atestado de incompetência a Ribeiro e Castro. Este, naturalmente, não concordou com o atestado. O confronto entre os dois era por isso inevitável.

 

Aparentemente, só Paulo Portas não se apercebeu dessa inevitabilidade. Portas parece ter acreditado que lhe bastaria anunciar as suas intenções para que Ribeiro e Castro se apressasse a rastejar para debaixo da pedra de onde saiu. Presunção a mais ou planeamento a menos?

 

Ao querer regressar, Paulo Portas desafiou Ribeiro e Castro para um duelo. O desafio foi aceite por Ribeiro e Castro, com a ressalva de ser ele a escolher as armas. E Ribeiro e Castro prefere bater-se em congresso. Uma oposição excessiva de Portas a esta solução só pode ser interpretada como um acto de cobardia, fatal para a sua imagem e para as suas pretensões.

 

Há uma ideia que fica de toda esta confusão: Paulo Portas parece estar com medo de se bater com Ribeiro e Castro em congresso. E quem tem medo de Ribeiro e Castro não serve para se bater com José Sócrates. Nem para liderar a oposição.

 

publicado por Carlos Carvalho às 01:37
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Sexta-feira, 2 de Março de 2007

O táxi

O CDS-PP obteve, nas últimas legislativas, 7,24% dos votos. Suponhamos que tinha obtido 6,24%, passando este ponto percentual para o PSD. Isto teria sido suficiente para reduzir o actual grupo parlamentar em um terço: em vez de 12 deputados, o CDS-PP teria elegido apenas 8. Portas, quando saiu, deixou o CDS-PP à beira do táxi. Mais uma queda eleitoral, ainda que ligeira, e o táxi regressa.

 

Neste momento colocam-se duas questões aos militantes e dirigentes do CDS-PP. A primeira é saber se querem voltar aos tempos do táxi. A segunda é saber quem irão ser os seus ocupantes.

 

Apesar de tudo, penso que Paulo Portas estará em melhores condições do que Ribeiro e Castro para conseguir uma votação mais elevada nas próximas legislativas. Se a escolha da liderança for deixada aos militantes, estes certamente escolherão Portas: é o que garante mais lugares para o partido.

 

Só que estes lugares só muito dificilmente serão ocupados pelos actuais dirigentes do partido. Estes sentir-se-ão tentados a pensar primeiro na sua eleição e só depois no número de mandatos que o partido pode conseguir. Pelo que procurarão eleger o líder através do método que lhes dá maior margem de influência sobre o resultado, isto é, através de congresso.

 

O CDS-PP está em fase de contagem de espingardas. Sendo que, para quem está de fora, será relativamente fácil saber quem apoia quem. Quem defender eleições directas prefere Paulo Portas. Quem defender a eleição do líder em congresso está com Ribeiro e Castro.

 

publicado por Carlos Carvalho às 23:12
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Segunda-feira, 8 de Maio de 2006

Pizza Ribeiro e Castro

“Sou um líder para as quatro estações”
Ribeiro e Castro, congresso do CDS-PP, 2006-05-07

 

publicado por Carlos Carvalho às 03:45
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Sexta-feira, 14 de Abril de 2006

Vitória humilhante

Ribeiro e Castro convocou um congresso extraordinário na expectativa de que os “pesos-pesados” que se lhe opõem saíssem da sombra para lhe disputar a liderança.
 
Ao que tudo indica, tal não irá acontecer. Ao invés, parece que Ribeiro e Castro será obrigado à “humilhação” de disputar a liderança com figuras menores do partido. Esta é uma lose-lose situation:
 
Mesmo que assegure a liderança por uma margem esmagadora, Ribeiro e Castro terá ganho contra ninguém. Ficará tudo na mesma no CDS-PP, com a agravante de lhe poderem atirar à cara que o congresso não foi mais do que uma perda de tempo.
 
Se por acaso perder a liderança, reforça-se a ideia de que até o Rato Mickey poderia ser presidente do CDS-PP. Neste cenário, o país ficará com a impressão de que até a senhora que faz as limpezas no Largo do Caldas teria mais votos do que ele.
 
Mas o pior cenário é os seus adversários “cozinharem” nos bastidores uma vitória tangencial. Ribeiro e Castro será um líder (ainda mais) enfraquecido, sem qualquer autoridade para poder pôr a “banda” na ordem. Será uma espécie de sequela do episódio “da caneta”.
 
É este o maior risco que Ribeiro e Castro correrá no próximo congresso: conseguir uma vitória humilhante, degradar a sua liderança e permitir aos seus adversários uma vitória por falta de comparência.

 

publicado por Carlos Carvalho às 21:08
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Sábado, 25 de Março de 2006

Música para o congresso

Ribeiro e Castro está a fazer todos os esforços para que Chico Buarque participe no próximo congresso do CDS-PP. Se não pessoalmente, pelo menos com a sua música. Para já, escolheu uma das suas músicas como mote para a preparação dos trabalhos:

 

A Banda

 

Estava à toa na vida

O meu amor me chamou

Pra ver a banda passar

Cantando coisas de amor

 

A minha gente sofrida

Despediu-se da dor

Pra ver a banda passar

Cantando coisas de amor

 

O homem sério que contava dinheiro parou

O faroleiro que contava vantagem parou

A namorada que contava as estrelas parou

Para ver, ouvir e dar passagem

 

A moça triste que vivia calada sorriu

A rosa triste que vivia fechada se abriu

E a meninada toda se assanhou

Pra ver a banda passar

Cantando coisas de amor

 

O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou

Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou

A moça feia debruçou na janela

Pensando que a banda tocava pra ela

 

A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu

A lua cheia que vivia escondida surgiu

Minha cidade toda se enfeitou

Pra ver a banda passar cantando coisas de amor

 

Mas para meu desencanto

O que era doce acabou

Tudo tomou seu lugar

Depois que a banda passou

 

E cada qual no seu canto

Em cada canto uma dor

Depois da banda passar

Cantando coisas de amor

publicado por Carlos Carvalho às 05:24
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Quinta-feira, 16 de Março de 2006

O buraco

Marques Mendes e Ribeiro e Castro têm em comum o facto de serem líderes de partidos derrotados nas últimas legislativas. Partilham também o facto de se queixarem de oposições internas que lhes dificultam a vida e retiram brilho às suas lideranças.

 

No futebol, após uma derrota há sempre treinadores a queixarem-se do relvado, do adversário, da falta de sorte, da pouca vontade de alguns jogarem em prol da equipa, dos erros do árbitro e até do sistema. Por muito justas que sejam algumas destas queixas, estas servem sempre para camuflar o óbvio: o treinador foi incapaz de implementar uma estratégia que permitisse ultrapassar as adversidades.

 

No caso destes dois líderes, o recurso a estas desculpas tem a agravante de eles conhecerem de antemão as adversidades com o que poderiam contar. Quando assumiram a liderança, ambos sabiam que iriam herdar partidos em plena ressaca de poder e estruturados pelas lideranças anteriores. Marques Mendes e Ribeiro e Castro sabiam que não poderiam escolher com quem queriam trabalhar, sendo muitas vezes obrigados a trabalhar com quem nunca escolheriam.

 

Mesmo assim candidataram-se, julgando-se suficientemente fortes para ultrapassar estes obstáculos e sabendo-se suficientemente fracos para assumirem a liderança noutras circunstâncias. A história dos vários partidos não augura nada de bom para este tipo de líderes. Mesmo assim, Marques Mendes e Ribeiro e Castro entenderam valer a pena desafiar as probabilidades.

 

Agora não se queixem. Não afectem surpresa pelo que se está a passar. Ambos conheciam o buraco em que se meteram. Se não conseguem sair dele, a culpa não é certamente do buraco...

publicado por Carlos Carvalho às 01:06
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Domingo, 22 de Janeiro de 2006

Tangente irónica

Cavaco Silva foi eleito Presidente à tangente, com uma percentagem de votos inferior à que tinha conseguido anteriormente para as legislativas.

Se então ganhou contra tudo e contra todos, agora precisou do apoio decisivo do CDS para se conseguir eleger.

Não deixa de ser irónico: Cavaco Silva, que nunca foi um entusiasta da coligação PSD-CDS (e para o fim da qual contribuiu), beneficiou do último esforço de entendimento resultante desta coligação já enterrada.

Cavaco estará feliz por ter ganho, mas ficou com um ligeiro amargo de boca. É que, a partir de hoje, o CDS está em condições de lhe dizer: "Lembra-te de quem te fez presidente".

publicado por Carlos Carvalho às 21:52
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Quarta-feira, 12 de Outubro de 2005

CDS-Porquê?

CDS.JPG

 

O gráfico anterior apresenta o número de mandatos para a câmara municipal conseguidos pelo CDS (sem coligações) em todas as eleições autárquicas realizadas em Portugal. Verifica-se que o CDS está há 20 anos em declínio autárquico, tendo registado quebras sucessivas em todas as eleições autárquicas desde 1985.

O que se passou em 1985? A eleição de Cavaco Silva como primeiro-ministro. Este gráfico demonstra que Cavaco Silva feriu (de morte?) o CDS nas autarquias, ao ponto deste partido não mais ter conseguido recuperar a sua anterior influência.

O declínio do CDS é ainda mais evidente se considerarmos apenas o número de câmaras conquistadas. Podemos mesmo afirmar que o CDS desapareceu autarquicamente em 1997, quando perdeu a sua última câmara relevante (Aveiro). Desde então conseguiu ganhar apenas algumas câmaras de pequena dimensão, mais por causa da notoriedade local dos candidatos apresentados do que pelo peso do partido.

Graças sobretudo a Cavaco Silva, o CDS não passa hoje de um sidekick autárquico do PSD. O exemplo de Aveiro é paradigmático: o CDS, que deteve esta câmara de 1976 a 1997, contentou-se em 2005 em ser o parceiro minoritário da coligação vencedora.

Estes dados ajudam a perceber porque razão Cavaco Silva não é benquisto para muitos sectores do CDS. Ajudam também a entender as especulações em torno de uma candidatura presidencial à direita de Cavaco. Como ficou bem claro nas penúltimas eleições presidenciais, há muitos sectores do CDS que só apoiarão Cavaco Silva se não tiverem outro remédio.

Nota: Os dados apresentados não consideram os mandatos obtidos em coligação. Se o CDS tivesse concorrido isoladamente em todas as câmaras, os números seriam mais favoráveis, mas a tendência observada não seria muito diferente.

publicado por Carlos Carvalho às 00:59
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