Terça-feira, 13 de Março de 2007

Dois anos

Dois anos de governo. Mantenho o que disse.

 

publicado por Carlos Carvalho às 01:45
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Quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2007

Dois anos

Dois anos de blogue. Mantenho o que disse.

 

publicado por Carlos Carvalho às 00:13
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Terça-feira, 14 de Março de 2006

Conversa

Regra geral, o primeiro ano do governo tem merecido balanços positivos. De facto, aumentou a estabilidade institucional, foram lançadas algumas reformas e cresceu o clima de confiança na opinião publicada. Não há dúvidas de que o governo tem sabido trabalhar a sua imagem.

 

O problema é que estes balanços focaram na sua generalidade aspectos intangíveis, ignorado muitas vezes os indicadores concretos que normalmente são utilizados aquando destas efemérides. O problema é que, se atentarmos a alguns destes indicadores, este ano não foi particularmente famoso.

 

Vejamos: neste ano aumentaram os impostos, a carga fiscal, o desemprego, o défice, a crispação social e as assimetrias regionais. Por outro lado, diminuíram os salários reais, o investimento, os serviços disponibilizados pelo Estado e as garantias face ao futuro. Finalmente, manteve-se o clientelismo e o marasmo no sistema judicial.

 

Passado um ano de governo, os portugueses estão a pagar cada vez para terem direito a cada vez menos. A continuarmos por este caminho, não faltará muito para que nos interroguemos: “mas afinal os meus impostos servem para pagar exactamente o quê?”

 

Como cidadão, o único balanço que me interessa é saber se a economia está melhor ou pior, se tenho mais ou menos dinheiro no bolso e se o Estado está a usar melhor ou pior os meus impostos. Com o devido respeito, tudo o resto é conversa.

publicado por Carlos Carvalho às 01:20
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Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2006

A primeira pedra

Ainda sou do tempo em que se faziam balanços positivos do governo de Durão Barroso. Quando este governo fez um ano, não faltaram elogios nos media à sua postura responsável, às corajosas medidas anunciadas e ao ímpeto reformador dos seus ministros. Depois, foi o que se viu.

Agora que Sócrates celebra um ano no poder, os elogios não são muito diferentes. Agora é que se vai ver.

É relativamente fácil para um governo minimamente competente colher elogios do primeiro ano da sua actuação. Neste curto período, um governo não pode ser avaliado pela sua obra: ainda não passou tempo suficiente. Tudo o que os media podem fazer é salientar o que ainda está mal e o que irá estar bem.

Tudo o que está mal ainda pode ser atirado para cima do governo anterior. E tudo o que irá estar bem já foi anunciado, sem que possa ser cobrada ainda a sua execução.

O primeiro ano de um governo é em tudo semelhante ao lançar da primeira pedra de uma obra há muito desejada. Há discursos e aplausos, foguetório e fanfarra, churrascada e água benta. Os futuros utentes deliram com a concretização próxima dos seus sonhos. Mas tudo o que têm é uma pedra.

Os problemas começam agora. Quem estava antes já não pode ser responsabilizado por atrasos nas obras. Nem por dificuldades imprevistas. Nem por planeamentos incompetentes. Nem por derrapagens orçamentais.

Se até aqui o governo foi avaliado comparando as suas promessas com o que outros não fizeram, a partir de agora será avaliado comparando o que efectivamente fez com aquilo que prometeu.

A primeira pedra está inaugurada. A partir de agora, só voltará a haver festa quando a obra estiver concluída.

publicado por Carlos Carvalho às 03:02
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Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2006

Opinion giver

Faz hoje um ano que iniciei este blogue. Desde então opinei, mais ou menos regularmente, mais ou menos acertadamente, sobre os mais diversos temas.

Pertenço àquela grande maioria de pessoas que têm opinião e que gostam de desabafar. Desabafar com familiares, com amigos, com colegas e até com directores de jornais. Tenho consciência das minhas limitações. Na maior parte das vezes, sei que não vou dizer nada de particularmente original nem de forma particularmente interessante. Mas sei também que gosto de o fazer.

Posso gostar de cozinhar sem ser um grande cozinheiro, de pintar sem ser um grande pintor, de escrever sem ser um romancista de renome. Há coisas que gostamos de fazer mesmo que não as façamos particularmente bem. A dedicação e o prazer são independentes do talento.

É essa a grande virtude dos blogues: permitem-nos opinar, desabafar, sugerir ou comentar sem grandes preocupações de grandeza e sem quaisquer mediações. Se alguém parar no nosso blogue e apreciar o que publicamos, tanto melhor. Se ninguém por lá passar, também não vem daí grande mal ao mundo.

Sei que não tenho suficientes atributos para ser um opinion maker. Mas, graças aos blogues, nada me impede de ser um opinion giver.

publicado por Carlos Carvalho às 00:23
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Sábado, 7 de Janeiro de 2006

Aniversário

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco,
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui - ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o eco...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos.

O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com os melhores desenhos na louça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas - doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado -,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

Álvaro de Campos

publicado por Carlos Carvalho às 22:59
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