Quinta-feira, 24 de Novembro de 2005

SCUT's? Grande negócio!

"Trata-se de trazer os parceiros e os agentes económicos a participarem neste esforço de construção de milhares de novos quilómetros de auto-estradas e vias rápidas pela introdução das chamadas portagens virtuais."
Paulo Neves (PS), 1996-09-19

"Sobre a questão do preço final das estradas feitas por este novo regime [portagens virtuais], estão em causa dois factores. Há o facto de a taxa de lucro ser maior do que a taxa de juro, factor que encarece, mas há também um factor que embaratece extraordinariamente: quando os privados se propõem defender a sua taxa de lucro fazem obras mais baratas do que o Estado."
João Cravinho (Ministro do Equipamento, do Planeamento e da Administração do Território),
1996-11-14

"Estando o País sob o constrangimento de um défice muito limitado, não se pode aumentar o défice, que, para o Governo quer fazer em termos das SCUT, representaria cerca de 100 milhões de contos de investimento/ano nos próximos anos.
Só há duas vias para fazer isto: a primeira via é aumentando o défice; a segunda via é através do aumento dos impostos, para não haver aumento do défice. São estas as duas únicas vias possíveis para fazer isto no quadro da empreitada habitual. Portanto, não se pode fazer as SCUT no quadro da empreitada habitual.
Por outro lado, também não se podem fazer sob concessão habitual, porque se se desse a concessão a uma empresa pública que se fosse endividar fora do Orçamento, essa empresa teria de pagar os empréstimos, teria de ter receitas, logo teria de ter portagens e ninguém quer ter portagens!...Portanto, também não se pode fazer por esta via.
É uma opção não o fazer! Mas não é isso que defendemos. A opção real para o País é fazer agora as SCUT ou fazer daqui a nove anos as ditas auto-estradas.
Se eu fizer um investimento que pode ser feito sob empreitada por 100 milhões de contos neste regime, vou na realidade pagar 213 milhões de contos, mas a empreitada normal só a faço daqui a nove anos.
Os ganhos que se perderiam somam 145 milhões de contos, pelo que ganhamos 32 milhões de contos com este investimento, logo temos uma taxa de rentabilidade de 32%, que é um grande negócio, convenhamos!"
João Cravinho (Ministro do Equipamento, do Planeamento e da Administração do Território),
1997-10-30

"Trata-se de um esquema em que o Governo entrega obras a uma empresa privada, que constrói a estrada, onde o Governo nada paga. Não aparece no Orçamento, não figura na dívida pública, mas depois fica-se a pagar um esquema chamado «portagens virtuais» durante não sei quantos anos."
Rui Rio (PSD), 1997-10-30

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publicado por Carlos Carvalho às 02:34
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