Domingo, 15 de Janeiro de 2006

Souto Moura à primeira

Souto Moura adiou a sua ida ao Parlamento. Só na sexta-feira é que dará explicações aos deputados sobre o caso das facturas detalhadas. Donde se conclui que Souto Moura acredita na eleição de Cavaco Silva logo na primeira volta.

Com efeito, não é crível que Souto Moura seja demitido antes de ir ao Parlamento. Ora, mesmo que a suas explicações não venham a convencer ninguém, não é provável que Sampaio demita Souto Moura dois dias antes das eleições presidenciais.

Caso Cavaco Silva seja eleito presidente no próximo domingo, Sampaio passará desde logo à sua fase de lame duck. Nesta fase, a demissão do procurador-geral da República, ainda que formalmente possível, não deixará de ser considerada eticamente ilegítima.

Acresce a isto que Souto Moura deixará irremediavelmente de ser procurador-geral a breve trecho, pelo que a sua demissão será interpretada apenas como uma manobra para que Sampaio possa ainda nomear o seu sucessor.

Quem criticou tão veementemente as nomeações feitas (por exemplo) pelo governo de Santana Lopes já depois das legislativas, não poderá deixar de criticar as nomeações que Sampaio venha a fazer após as presidenciais.

Por isso, ao adiar por três dias a sua ida ao Parlamento, Souto Moura poderá ter assegurado a sua não demissão. O que prova que percebe mais de política do que muitos querem admitir.

publicado por Carlos Carvalho às 23:58
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