Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2006

Terror no estádio

Sou adepto do Benfica. Desloco-me frequentemente ao Estádio da Luz. Quando saio do estádio, às vezes saio contente, outras nem por isso. Quando entro no estádio, rezo sempre a todos os santos para que não ocorra uma tragédia.

Descrevo agora o que se passou no jogo com o Liverpool, e que não difere muito do que se passa sempre que a assistência supera a meia casa.

Como milhares de adeptos, acedi ao estádio pelo lado do Alto dos Moinhos. Uma vez ultrapassado o viaduto pedonal, os adeptos são obrigados a percorrer um estreito corredor, entre os pavilhões desportivos e o Media Markt. É neste estreito corredor que os adeptos são revistados por funcionários de uma empresa de segurança, observados de perto pelas forças policiais.

Como é feita a revista? Colocando um gradeamento transversal ao corredor, com pequenas aberturas por onde só passa um adepto de cada vez. O problema é que, para além de pequenas, estas aberturas são em número manifestamente insuficiente para dar vazão aos adeptos que vão chegando. Resultado: os adeptos vão-se acumulando no corredor, apertando-se como podem e, com o aproximar da hora do jogo, sendo empurrados e empurrando os da frente de encontro às grades.

Estive mais de um quarto de hora neste corredor, empacotado, apertado, a ser empurrado e quase sem me poder mexer. Ao meu lado, estavam pessoas idosas e crianças (algumas de colo) com um ar aterrorizado. Durante este tempo, só me ocorria uma frase: “Deus nos livre de uma situação de pânico!”

Passado esse quarto de hora, perante a impaciência dos adeptos (com os empurrões, alguns quase que se envolveram em cenas de pugilato!), os funcionários responsáveis pela revista reconheceram a incapacidade de realizarem o seu trabalho, e começaram a deixar passar as pessoas – até porque mais à frente estava um cordão de polícias (de choque?) para dissuadir os mais exaltados.

Só que as grades não foram retiradas, pelo que tínhamos agora milhares e milhares de adeptos apressados para chegar ao seu lugar (faltavam poucos minutos para o início do jogo) a tentar passar, descontrolados, pelas pequenas aberturas do gradeamento. Como é evidente, houve muitas pessoas a serem empurradas de encontro às grades.

Resumindo: com o pretexto de serem revistados, milhares de adeptos foram a obrigados a comprimir-se durante largos minutos num estreito corredor, para em seguida terem de passar pelas pequenas e escassas aberturas de um gradeamento (contra o qual eram empurrados) e por um cordão policial. Isto para acabarem por nem sequer serem revistados!

Esta situação passou-se no jogo com o Liverpool, mas não é muito diferente do que acontece sempre que o Benfica joga em casa. Custa-me muito dizer isto como benfiquista, mas é a verdade: o Estádio da Luz não tem acessos minimamente adequados à sua lotação. Sobretudo nos picos de afluência de adeptos. Do que estão à espera os responsáveis (do clube e das autoridades policiais) para tomar medidas para minorar esta situação?

Até quando é que esta situação se verificará? Estarão os responsáveis à espera que uma situação de pânico origine uma catástrofe? Precisará o futebol de mais exemplos de adeptos esmagados contra um gradeamento?

publicado por Carlos Carvalho às 02:29
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