Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007

Sócrates e a vitória

José Sócrates saiu vitorioso deste referendo. Ganhou porque lutou por ele. Ganhou porque se comprometeu a respeitar o seu resultado. Ganhou porque resistiu às tentativas de alterar a Lei por via exclusivamente parlamentar (o que poderia ter feito).

 

Ao defender o “sim”, mostrou estar em sintonia com a maioria dos portugueses. Ao defender o referendo, evitou a alienação de muitos adeptos do “não” (essenciais para uma maioria absoluta): o “sim” não resultou de uma imposição do governo ou do parlamento, mas de uma escolha do eleitorado.

 

O aborto será certamente um dos temas em discussão aquando das próximas legislativas. Mas daqui não resulta, automaticamente, que Sócrates possa então usar como trunfo a vitória neste referendo. Ainda falta muito tempo para estas eleições. Tempo mais do que suficiente para aprovar, aplicar e avaliar a nova legislação sobre o aborto. O que então interessará ao eleitorado não será o resultado deste referendo, mas o que Sócrates foi capaz de fazer com ele. E muitos dos resultados – para o melhor ou para o pior – já serão então palpáveis.

 

Hoje a vitória pertence a Sócrates. Mas, se adormecer à sua sombra, corre o risco de ainda a poder vir a amaldiçoar.

 

publicado por Carlos Carvalho às 02:29
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