Terça-feira, 10 de Outubro de 2006

Procurador

Ainda sou do tempo em que se falava bem de Souto Moura. Era o tempo em que Cunha Rodrigues estava para deixar a Procuradoria-Geral da República, com uma imagem mediática bastante chamuscada. Os políticos tanto o elogiavam em público como o odiavam em privado. Foi em parte graças a este ódio que se introduziu na Constituição uma limitação temporal ao mandato do Procurador.

 

Depois veio Souto Moura. Fora dos meios judiciais, um ilustre desconhecido. Mas isso era compensado pelo facto de não ser Cunha Rodrigues – pelo que só poderia ser melhor.

 

Agora foi a vez de Souto Moura sair da Procuradoria com a sua imagem mediática bastante chamuscada. E de ser substituído por Pinto Monteiro, um ilustre desconhecido fora dos meios judiciais. Dele há quem diga que não é Souto Moura – pelo que só pode ser melhor.

 

É certo que a imagem do Procurador depende de erros e acertos do próprio. Mas depende também (sobretudo?) de factores completamente alheios à sua actuação. Por isso, parece-me pouco avisado depositar demasiadas esperanças na melhoria do sistema judicial só porque houve uma mudança de caras.

 

Ontem tomou posse um novo Procurador-Geral da República. Terá tomado posse, simultaneamente, um novo bode expiatório?

 

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publicado por Carlos Carvalho às 00:10
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