Segunda-feira, 15 de Maio de 2006

Medida sem vilão

 
Pareceu-me que o anúncio do encerramento de algumas maternidades não correu bem ao governo. O ministro da saúde pareceu-me tenso, pouco explícito, incapaz de apresentar satisfatoriamente os seus argumentos.
 
O que aconteceu? O que é feito do ímpeto com que este governo costuma anunciar as suas medidas? O que é feito do cortar a direito sem olhar a quem?
 
Talvez a resposta seja: o clima mudou, e a propaganda do governo já não passa tão bem na televisão. Mas inclino-me mais para outro motivo: esta será uma das primeiras vezes em que o governo anuncia algo sem identificar um vilão. Aqui não há uma corporação a beneficiar injustamente de dinheiros e benesses públicos. Aqui não há um alvo a abater. Não é possível aqui excrementar os utentes afectados.
 
Este é um dos maiores problemas do governo: armar-se em justiceiro. Sempre que toma uma medida, toma-a contra alguém. Quando não há ninguém que possa ser atacado, o anúncio corre mal e a mensagem não passa.
 
O governo habituou-se a anunciar pela negativa. Não admira que lhe corra mal a vida das poucas vezes que procura anunciar pela positiva.
 
publicado por Carlos Carvalho às 00:56
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