Sexta-feira, 12 de Maio de 2006

Horóscopo

Manuel Maria Carrilho escreveu um livro intitulado “Sob o Signo da Verdade”. Aparentemente, trata-se de um livro sobre astrologia. Talvez o autor tenha descoberto um novo signo até agora ignorado por toda a humanidade. Ou talvez ande simplesmente à procura da verdade nos astros.
 
Acompanhei, como muitos portugueses, a última campanha eleitoral para a autarquia lisboeta. Vi - sem precisar que me contassem - um candidato mal educado, arrogante, mal preparado e com um ego de tal forma insuflado que parecia poder explodir a qualquer momento. Este candidato chamava-se Manuel Maria Carrilho (MMC).
 
Passados alguns meses, este parece ainda não ter digerido a derrota. Ao pé das suas lamúrias, as de Santana Lopes ganham uma súbita coerência, e este inesperada estatura.
 
Por falar em astros e em Santana Lopes, lembrei-me de uma canção de Rui Veloso: Não Há Estrelas no Céu. Lembrei-me especificamente deste verso: “Parece que o mundo inteiro se uniu para me tramar”.
 
Há comentadores enviesados? Há jornais que privilegiam o acessório ao essencial? Há televisões que dão mais relevo a um incidente infeliz do que a todos os discursos de campanha? Caro MMC: em que mundo é que tem vivido?
 
As suas lamúrias poderiam ser toleráveis num novato mimado. Só que, em termos políticos, há muito que você é uma “puta velha”. Então só agora é que deu por isso? Ou só agora é que o refresco na boca dos outros se tornou veneno para as suas papilas gustativas?
 
Apesar do seu mau feitio, nunca o ouvi protestar contra a imprensa sempre que esta o levou ao colo e denegriu os seus adversários, nem vociferar contra aqueles colunistas amigos que o consideravam o melhor ministro da cultura que este país já teve desde que D. Afonso Henriques bateu na mãe. Prometeu-lhes alguma coisa para o elogiarem?
 
MMC faz-me lembrar aqueles dirigentes de clubes de futebol que denunciam a corrupção do sistema quando o árbitro prejudica o seu clube, mas que ficam calados que nem um rato sempre que beneficiam de um erro de arbitragem.
 
O seu livro chama-se “Sob o Signo da Verdade”. Mas poderia chamar-se “A Verdade dos Horóscopos”. As semelhanças são evidentes: podem ser lidos por muitos, mas quase ninguém os leva a sério.
 
Atrevo-me a fazer-lhe uma sugestão: quer ter algum futuro político? Aprenda a gostar do deserto, e a atravessá-lo com um mínimo de dignidade. Se por acaso tiver insónias, o melhor que tem a fazer é contar caracteres...
 
publicado por Carlos Carvalho às 01:03
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