Sábado, 4 de Março de 2006

Sampaio

Agora que Jorge Sampaio sai de cena, é natural que se façam vários balanços sobre os seus mandatos. E sobre o seu legado.

 

Sampaio foi enquanto presidente aquilo que é como homem: sério, cinzento, emotivo, jurista. E socialista.

 

Se não me engano, Sampaio foi o primeiro presidente a não suspender a sua filiação partidária aquando da sua tomada de posse. Quis com isto dizer que era socialista, e que não renegava a sua militância no PS. Notou-se.

 

Durante os governos de António Guterres - enquanto o país ia alegremente para o buraco - Sampaio nada fez para contrariar o descambar das contas públicas.

 

Já no governo de Durão Barroso, Sampaio esteve longe de ser um entusiasta das medidas austeras então anunciadas. Durão Barroso falava de rigor orçamental, Sampaio garantia que há vida para além do défice.

 

Com Santana Lopes, Sampaio juntou à sua discordância sobre as políticas do governo a sua repulsa pessoal pelo primeiro-ministro, acabando por forçar a sua queda.

 

Regressando o PS ao governo pela mão de José Sócrates, Sampaio voltou a concordar com as políticas anunciadas pelo governo, apesar destas serem no essencial idênticas às dos dois governos anteriores.

 

É natural que gostemos mais dos nossos do que dos outros. Sampaio não fugiu à regra: foi sempre mais tolerante para com os governos do PS do que para com os governos liderados pelo PSD. Daí que os seus dez anos de presidência se possam resumir numa frase: “diz-me o partido de quem governa e dir-te-ei que Presidente serei”.

publicado por Carlos Carvalho às 02:23
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