Terça-feira, 19 de Abril de 2005

Por mares já de antes navegados

Com a eleição do cardeal Ratzinger como Papa Bento XVI, a Igreja escolheu rumar por mares já de antes navegados, promovendo a capitão o piloto mais experimentado na sua navegação.

Após um pontificado tão longo e tão rico como o de João Paulo II, a sua morte não significou apenas o fim de uma pessoa: significou o fim de uma era. O mundo que sempre conhecemos desapareceu subitamente com ele. A Igreja ganhou de repente um enorme medo do desconhecido, pelo que é natural que procure no seu sucessor as referências que se habitou a encontrar na cadeira de Pedro.

Só que ninguém é igual a João Paulo II. Tal como ninguém é igual a Bento XVI. A sua fidelidade ao Papa anterior não implica necessariamente a manutenção do statu quo. Uma coisa é aconselhar, outra é dirigir. Bento XVI tem o mérito de tranquilizar os cardeais, dando-lhes um ponto de partida conhecido. Mas o ponto de chegada só dependerá dele, bem como o caminho a seguir.

Dada a sua idade, diz-se que Bento XVI terá um pontificado curto e discreto, sendo apenas um Papa de transição. Disse-se o mesmo aquando da eleição de João XXIII. O seu pontificado pode ter sido curto. Mas foi tudo menos discreto.

Nem só os desconhecidos têm a capacidade de nos surpreender.

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publicado por Carlos Carvalho às 23:00
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