Quinta-feira, 12 de Abril de 2007

Espelhos no tecto

Nunca fui à bola com quem passa a vida a proclamar-se honesto. Ou humilde. Ou integro. Ou outra coisa qualquer que não deve ser avaliada pelo próprio, mas por outrem. Estes tipos que me desculpem, mas é-me indiferente a avaliação que fazem de si mesmos. Não prescindo do meu direito de os avaliar quando lido com eles, e valorizo mais a sua conduta do que as suas proclamações.

 

Este comportamento, que pode gerar desconfianças, origina sempre uma certa irritação. Não tenho muita pachorra para aturar quem se quer fazer passar simultaneamente por actor, por espectador e por comentador dos seus actos. Sempre que os ouço, deixo de estranhar que haja quem mande instalar espelhos no tecto do quarto…

 

Entre os políticos cá do burgo, Paulo Portas é, provavelmente, o expoente máximo deste tipo de proclamadores. Mas não está só. Como se viu na entrevista à RTP, Sócrates não desdenha este tipo de comportamento.

 

Frases do tipo: tenho bem presentes as minhas responsabilidades, tomei uma decisão séria, eu digo honestamente, portei-me com total transparência, o meu exemplo é para ser valorizado, [aqueles que agem como eu] revelam nobreza de carácter, tenho-me portado com superioridade, etc, tresandam a auto-elogio. Usadas com parcimónia, passam despercebidas. Usadas em excesso, dão a impressão de que o seu autor teme que ninguém repare nas suas virtudes se ele não as promover. Ou, então, que o seu ego é maior do que o mundo.

 

publicado por Carlos Carvalho às 03:06
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Terça-feira, 20 de Março de 2007

Duelo

Ao anunciar o seu regresso nos termos e no tempo em que o fez, Paulo Portas passou um atestado de incompetência a Ribeiro e Castro. Este, naturalmente, não concordou com o atestado. O confronto entre os dois era por isso inevitável.

 

Aparentemente, só Paulo Portas não se apercebeu dessa inevitabilidade. Portas parece ter acreditado que lhe bastaria anunciar as suas intenções para que Ribeiro e Castro se apressasse a rastejar para debaixo da pedra de onde saiu. Presunção a mais ou planeamento a menos?

 

Ao querer regressar, Paulo Portas desafiou Ribeiro e Castro para um duelo. O desafio foi aceite por Ribeiro e Castro, com a ressalva de ser ele a escolher as armas. E Ribeiro e Castro prefere bater-se em congresso. Uma oposição excessiva de Portas a esta solução só pode ser interpretada como um acto de cobardia, fatal para a sua imagem e para as suas pretensões.

 

Há uma ideia que fica de toda esta confusão: Paulo Portas parece estar com medo de se bater com Ribeiro e Castro em congresso. E quem tem medo de Ribeiro e Castro não serve para se bater com José Sócrates. Nem para liderar a oposição.

 

publicado por Carlos Carvalho às 01:37
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Sexta-feira, 2 de Março de 2007

O táxi

O CDS-PP obteve, nas últimas legislativas, 7,24% dos votos. Suponhamos que tinha obtido 6,24%, passando este ponto percentual para o PSD. Isto teria sido suficiente para reduzir o actual grupo parlamentar em um terço: em vez de 12 deputados, o CDS-PP teria elegido apenas 8. Portas, quando saiu, deixou o CDS-PP à beira do táxi. Mais uma queda eleitoral, ainda que ligeira, e o táxi regressa.

 

Neste momento colocam-se duas questões aos militantes e dirigentes do CDS-PP. A primeira é saber se querem voltar aos tempos do táxi. A segunda é saber quem irão ser os seus ocupantes.

 

Apesar de tudo, penso que Paulo Portas estará em melhores condições do que Ribeiro e Castro para conseguir uma votação mais elevada nas próximas legislativas. Se a escolha da liderança for deixada aos militantes, estes certamente escolherão Portas: é o que garante mais lugares para o partido.

 

Só que estes lugares só muito dificilmente serão ocupados pelos actuais dirigentes do partido. Estes sentir-se-ão tentados a pensar primeiro na sua eleição e só depois no número de mandatos que o partido pode conseguir. Pelo que procurarão eleger o líder através do método que lhes dá maior margem de influência sobre o resultado, isto é, através de congresso.

 

O CDS-PP está em fase de contagem de espingardas. Sendo que, para quem está de fora, será relativamente fácil saber quem apoia quem. Quem defender eleições directas prefere Paulo Portas. Quem defender a eleição do líder em congresso está com Ribeiro e Castro.

 

publicado por Carlos Carvalho às 23:12
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Portas que não abrem

A declaração à imprensa de Paulo Portas tinha sido anunciada para as 20.00 horas. Acabou por ser feita por volta das 20.10, empurrada para o meio do alinhamento dos vários noticiários. Longe vai o tempo em que Paulo Portas abria telejornais…

 

publicado por Carlos Carvalho às 03:59
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Quinta-feira, 18 de Maio de 2006

Deus e o diabo

Paulo Portas pediu sempre a Deus que lhe fizesse ver o tempo em que deveria sair. Talvez agora peça ao diabo que não o tente a voltar.
 
publicado por Carlos Carvalho às 00:41
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Sábado, 26 de Novembro de 2005

Paulo Portas, 1996

"Fez o Prof. Cavaco Silva qualquer esforço para unir o centro e a direita? Do meu ponto de vista não. Mas entendo que, apesar de o candidato ter sido indiferente aos eleitores da direita, é preciso responder à pergunta mais simples e mais difícil. Que fazer?

Para a direita, Cavaco Silva é um estranho, mas Jorge Sampaio é um adversário; Cavaco Silva quer os nossos votos mas não quer as nossas ideias, Jorge Sampaio não precisa dos nossos votos e tem ideias contrárias às nossa.

Combati o Prof. Cavaco Silva em Portugal como poucas pessoas, mas não faço da minha vida política um ressentimento permanente ou um ajuste de contas. O cavaquismo foi julgado, foi condenado e não tem recurso.

O centro e a direita não têm culpa que a direita não tenha um candidato e que o candidato do centro seja aquele que mais combateu a direita. Temos de estar à altura dos eleitores mais do que dos candidatos e é por isso que eu escolherei o mal menor. Jorge Sampaio está à esquerda da esquerda, Cavaco Silva está à esquerda da direita. Há uma diferença que me permite dizer que a direita nestas eleições não escolhe, elimina.

A conclusão é óbvia: eliminarei, como cidadão eleitor, a candidatura do Dr. Jorge Sampaio e escolherei o mal menor, que, nestas eleições, é a candidatura do Prof. Cavaco Silva.

Faço um gesto que, efectivamente, me custa mais do que muita coisa neste mundo, porque penso que há um mal menor e um mal maior.

Tenho muita pena que não haja um candidato da direita nestas eleições. Tenho muita pena! Estou limitado à escolha que se me apresenta, não tenho outra."

Paulo Portas, 1996-01-11

publicado por Carlos Carvalho às 03:38
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Sexta-feira, 21 de Outubro de 2005

Os gauleses

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publicado por Carlos Carvalho às 01:26
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