Sábado, 14 de Janeiro de 2006

Não devo, mas temo

Sempre que o Estado se intromete demais na vida dos cidadãos, aparece sempre alguém a afirmar que "quem não deve, não teme".

Pois bem, eu não devo, mas temo.

Temo ficar constrangido nos meus relacionamentos pessoais se me sentir observado.
Temo desabafar com um amigo se suspeitar que estou a ser escutado.
Temo falar mal de quem não gosto se desconfiar que esse alguém pode ficar a saber.
Temo que a minha intimidade seja filmada e acabe na Internet.
Temo ser perseguido por criminosos se for público que tenho muito dinheiro.
Temo que o meu crédito fique diminuído se for público que não tenho dinheiro algum.
Temo que os meus negócios sejam afectados pela divulgação de informação confidencial da minha empresa.
Temo ser constantemente espiolhado pelo Estado sem ser acusado de nada.
Temo a violência de não poder ter segredos.
Temo perder a sensação de liberdade.

Eu não devo, mas temo. Não preciso de ser criminoso para ter algo a esconder. Mas basta-me ser humano para ter o direito de nem tudo querer revelar.

publicado por Carlos Carvalho às 05:58
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