Terça-feira, 24 de Janeiro de 2006

Cinco contra um

Reflexões sobre as eleições presidenciais, também conhecidas como as eleições do "cinco contra um".

A carne no assador. Dificilmente seria possível, neste momento, reunir um melhor naipe de candidatos presidenciais. O PSD e o PS apresentaram as suas maiores referências vivas. O PCP e o BE avançaram com os seus líderes. Manuel Alegre, embora excêntrico à direcção, é uma das mais gradas figuras do PS. Com a possível excepção de António Guterres (2016?), podemos dizer que os partidos puseram a carne toda no assador.

Praça da Alegria, Largo do Rato. Especular sobre um novo partido fundado por Manuel Alegre é apenas vontade de jogar conversa fora. Alegre obteve o resultado perfeito: mostrou que tem peso político, deixou de ser visto como um lírico inconsequente, impôs-se ao partido sem contudo o submeter à violência de ter que o apoiar numa segunda volta. O PS ganhou-lhe respeito, mas não lhe ganhou ódio. Passou a ter vida própria (e a ser ouvido!) dentro do PS - o que não é pouco num partido com um líder forte e com uma maioria absoluta.

Génios e idiotices. "Só um idiota é que julga que tudo o que um génio faz é genial", garantia Sthendal. Não é por ter perdido umas eleições que Mário Soares verá a sua biografia rescrita. Pode ser penoso para quem está de fora ver um jogador a arrastar-se pelos campos. Mas, para o próprio, se calhar é gratificante saber que ainda é capaz de jogar. Mário Soares já fez o que tinha de fazer para a História. Deixem agora que ele se divirta.

Sabor autêntico. Na direcção do PCP, Jerónimo de Sousa é um comunista ortodoxo como muitos, mas genuíno como poucos. Não nos procura impingir o comunismo, antes procura demonstrar que a sua vivência não lhe permitiria ser outra coisa senão comunista. Terá bons resultados enquanto não cansar.

A erecção de Adão. "O que é que Adão disse a Eva aquando da sua primeira erecção? Eva, sai da frente que eu quero ver até onde é que isto vai". A piada é brejeira, e não consta que Eva se tenha afastado para muito longe. Ao cuidado do Bloco de Esquerda.

Garcia Pereira. Garcia Pereira é Garcia Pereira. Ponto final parágrafo.

Big pond, small fish. Porque é que o CDS-PP não apresentou candidato? Porque preferiu ser um peixe pequeno num grande lago vencedor do que um peixe grande numa poça claustrofóbica. O ónus de impedir a eleição, pela primeira vez, de um presidente da "não esquerda" ter-lhe-ia sido fatal.

No rules, great regime? Em menos de um ano, caíram duas "regras" do nosso regime: o PS não consegue ter maiorias absolutas e a "direita" não consegue eleger um presidente. Sinal de vitalidade do regime, ou de que as soluções se estão a esgotar? Ao cuidado de Sócrates e de Cavaco.

publicado por Carlos Carvalho às 02:42
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