Sábado, 28 de Maio de 2011

Triunvirato

– “Troika não. Triunvirato” – corrigiu-me o João, numa destas noites em que costumamos jogar conversa fora no bar do António. Fã confesso de Paulo Portas, não vale a pena retorquir-lhe com a sensibilidade variável de Portas aos estrangeirismos consoante a sua geografia. “Troika” não que é feio (é russo e basta), mas vai-se ao seu manifesto eleitoral e lá encontramos, a espaços é certo, americanices tão fashionable como “cluster”, “outsourcing”, “task force” e “benchmark”. Inglês técnico, passemos à frente.

 

– “Triunvirato não, pá, que me lembras os romanos, com aquelas togas e tudo” – respondo, por sobre a música, ao mesmo tempo que procurava imaginar a efígie de Poul Thomsen com uma daquelas pencas à Júlio César plantadas no meio da cara. Não, ainda não estou assim tão bêbado.

 

– “Triunvirato? Estão a falar do quê?” – intromete-se o Pedro, que tem este hábito ligeiramente irritante de entrar nas conversas a meio – “Ah, de economia. Que parvoíce a minha. Como ouvi falar em romanos, pensei que estivessem a falar daquele período imediatamente antes do fim da República.”

 

Fez-se silêncio. – “Caramba, será que o Paulo Portas tem razão?”

 

Nota: Texto originalmente publicado no Delito de Opinião, por amável convite de Pedro Correia.

publicado por Carlos Carvalho às 01:37
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