Terça-feira, 24 de Maio de 2011

O pelotão da frente

Gosto da Volta à França. De a acompanhar pela televisão. Gosto do espírito de sacrifício, do trabalho de equipa, da narrativa única que cada etapa oferece. Gosto de assistir à ascensão dos heróis, se não ao Olimpo, pelo menos ao Tourmalet ou a Alpe d'Huez. E gosto dos comentários de Marco Chagas.

 

Aprendi com Marco Chagas que, nestas etapas de montanha, muitos ciclistas dão tudo por tudo para permanecerem no pelotão da frente. Para não descolarem dos melhores, apesar de não estarem à sua altura. Só que a subida é longa, e o desfecho (quase sempre) inevitável: um a um, estes ciclistas estouram, acabando por se arrastar montanha acima, amiúde ultrapassados por aqueles ciclistas que, tendo optado por não acompanhar o pelotão da frente, acabam por encontrar o seu ritmo e terminar a etapa numa posição digna.

 

Não percebo por isso a imagem, roubada ao ciclismo, usada entre nós aquando da adesão ao euro. Portugal teria de integrar o pelotão da frente. A qualquer custo. Apesar de não ter fôlego nem pernas para o acompanhar.

 

Nunca um estouro foi mais fácil de prever. Mesmo por quem não percebe muito de economia. Bastaria apenas assistir ao Tour.

publicado por Carlos Carvalho às 01:03
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