Sábado, 29 de Setembro de 2007

O fim do morto-vivo

Marques Mendes era, desde o dia em que foi eleito, um líder partidário a prazo. Tomou algumas decisões acertadas, tentou moralizar o partido, ganhou autárquicas e presidenciais (apesar dele?). Mas nunca convenceu verdadeiramente o eleitorado. A oposição ao governo era fraca, e já poucos suportavam aquela sua mania de vir dizer, três vezes por semana, que era um homem íntegro, de princípios e com valores. Como se fosse o único!

 

Pessoas íntegras há muitas – vencedoras é que há poucas. Marques Mendes parece não ter percebido que a sua integridade era condição necessária mas não suficiente para ser líder do PSD.

 

Lisboa matou Marques Mendes. Este cometeu um erro crasso quando pretendeu colocar Carmona Rodrigues no mesmo saco de Valentim Loureiro e de Isaltino Morais. Uma coisa é não recandidatar um autarca cessante, outra é obrigá-lo a sair a meio do mandato. Uma coisa é afastar uma pessoa nomeada por outrem, outra é deixar cair uma pessoa escolhida por si – sobretudo quando os motivos se revelaram infundados.

 

Marques Mendes escolheu Carmona Rodrigues como candidato, depois deitou abaixo a sua maioria camarária, depois deixou de confiar nele, depois forçou a sua demissão e depois sugeriu uma alternativa (ainda) pior. Com isto perdeu a maior câmara do país. Estava à espera de sair ileso desta situação?

 

A gota de água: sendo Marques Mendes um defensor das directas, porque não preparou ele – um homem íntegro – o partido para que nenhuma dúvida se levantasse sobre a correcção do acto eleitoral?

 

Parece-me que os militantes do PSD deram uma mensagem clara ao partido: qualquer liderança é melhor do que a de Marques Mendes. Filipe Menezes poderá o não ser o melhor, mas era o único disponível, a única alternativa para matar, desde já, uma liderança que todos sabiam moribunda.

 

Haverá, neste momento, poucas esperanças de que Filipe Menezes venha a ser um líder vencedor. Mas mais valem poucas do que nenhumas. Tem agora uma margem temporal curta para fazer o que Marques Mendes não conseguiu: superar as expectativas.

publicado por Carlos Carvalho às 04:25
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