Terça-feira, 5 de Junho de 2007

Robot de cozinha

E que tal comprar um robot de cozinha? A ideia, para quem está a equipar uma cozinha, parece sedutora. Uma máquina que bate, que pica, que fatia, que pesa, que faz sumos… sem atravancar a bancada da cozinha com uma série de electrodomésticos. Grande ideia!

 

Ou talvez não. Com o uso, percebemos que o robot faz muitas coisas, mas faz poucas coisas bem. E mesmo as que faz bem demoram mais tempo a fazer. Com o tempo, acabamos por arrumar o robot num canto da cozinha, onde fica – qual elefante branco – a ganhar pó. E a roubar espaço à batedeira, à picadora, à varinha mágica, ao espremedor e aos demais electrodomésticos que entretanto fomos adquirindo. O que à partida parecia uma boa ideia transforma-se em pouco tempo num desperdício de dinheiro.

 

Só compensa adquirir um robot de cozinha se este, por bom preço, desempenhar bem as funções que utilizamos mais frequentemente. Caso contrário, é preferível adquirir vários electrodomésticos.

 

Há quem defenda para Lisboa um novo aeroporto do tipo robot de cozinha. Que sirva quem viaje em turismo. Quem viaje em negócios. Os voos low cost. Os voos regulares. O transporte de cargas. Para instalar novas empresas. Para desenvolver outras. Para concorrer com Espanha. Para potenciar a interligação com outros aeroportos nacionais. Para desenvolver o norte, o centro e o sul. Para construir uma nova cidade. Para servir Lisboa. Etc., etc., etc.

 

Um aeroporto que sirva mil e um objectivos. Mas sem garantias de que todos (ou mesmo algum!) sejam bem servidos. Na ânsia de ficarmos de bem com todos, acabamos amiúde por não ficar de bem com ninguém.

 

Urge por isso identificar quais as necessidades prioritárias a que o novo aeroporto deve dar resposta. E garantir que lhes responde bem. Pode até satisfazer outras necessidades, embora com a condição de não comprometer os objectivos prioritários. Mesmo que tal implique construir mais do que um aeroporto. O que até pode sair mais barato.

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publicado por Carlos Carvalho às 02:43
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2 comentários:
De Transbordices a 5 de Junho de 2007 às 23:19
O grande problema passa precisamente por aí, apurar prioridades no vasto espectro das opiniões que circulam
De João Soares a 7 de Junho de 2007 às 12:29
Viste o Dossier e o meu blogue Bioterra
http://bioterra.blogspot.com/2007/06/dossier-ota-noportela1sim.html
Um abraço

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