Quinta-feira, 31 de Maio de 2007

13,77

13,77% de adesão à greve, garantiu o secretário de Estado da Administração Pública. Número rigoroso, sem margem para equívocos.

 

Quando os números são apenas uma aproximação, manda o bom senso que não se utilizem casas decimais. Estas são usadas quando se quer transmitir a ideia de rigor. Ou quando se pretende enganar papalvos.

 

Longe de mim pensar tal coisa de um secretário de Estado. Se ele garante que a adesão foi de 13,77% é porque foi mesmo. Não foi 13,76. Não foi 13,78. Foi de 13,77, número justo e cravado.

 

Duvidam? Então perguntem ao secretário de Estado: exactamente quantos funcionários fizeram greve? Exactamente quantos funcionários existem na administração pública? Aproximações não valem. Estimativas também não. Umas e outras não são compatíveis com duas casas decimais.

 

Já agora, perguntem-lhe também: como conseguiu o governo chegar a um número tão rigoroso até às oito da noite? Quantas horas de trabalho foram gastas para levar a cabo tarefa tão hercúlea?

 

Tanto rigor só pode significar uma coisa: enquanto uns faziam greve, outros passavam grande parte do seu dia de trabalho a recolher e processar informação sobre os grevistas. Na prática, vai dar tudo ao mesmo…

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publicado por Carlos Carvalho às 03:21
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3 comentários:
De DT a 31 de Maio de 2007 às 04:15
De facto a greve foi um fracasso. Mal me levantei e observei as notícias da manha e verifiquei as enormes filas no transito como em qualquer outro dia, mesmo havendo comboios e autocarros para Lisboa, fiquei sem qualquer dúvida. Depois fui para a minha escola. Apenas uma funcionária faltou num pavilhão da escola, o que impediu 15 professores de darem aulas. Noutros pavilhões trabalhei normalmente. Saí da escola e fui tratar de assuntos nop seguintes locais: Caixa Geral de Depósitos para fazer uma actualizaçãod e caderneta. Depois fui à repartição de Finanças e fui atendido normalmente. Segui para a estação da caminho-de-ferro, comprei bilhete, apanhei o comboio até à baixa e estive em várias lojas. Voltei de novo de comboio e fui ao ginásio. À saida decidi fazer umas compras no «Modelo» que fica em frente. Fui jantar com uma amiga e fomos ao cinema. Finalmente estou em casa. Ja vi televisão e estive a corigir trabalhos dos meus alunos. Este foi o dia de Greve, dita Geral......
Não me façam rir. Eu percebo que tenham comprado a «lotaria» e nem a terminação tenham conseguido ganhar. Mas, enfim. É a vida. E depois, toda a gente percebeu que se tratava da Greve do Partido Comunista. Até os homens da recolha de Lixo de Loures que aderiram a 100%...como nas eleições da Coreia do Norte.
De Transbordices a 31 de Maio de 2007 às 17:24
Realmente, as casas decimais... como explicar isso?, já sei...
São os senhores que aderiram à greve mas receberam telefonemas dos patrões e tiveram que ir às pressas para o trabalho... nestas coisas do ganha pão é melhor jogar pelo seguro ;)
De Mauro Maia a 1 de Junho de 2007 às 11:07
A exactidão dos valores é realmente estranha, o que leva a crer, uma vez que obviamente foram usados métodos estatísticos e não métodos de cálculo directo, que foi mais um punhado de areia (presumivelmente do deserto na margem sul dao Tejo...) que este governo atira para os olhos dos consumidores de telejornais e qujandos que tais. O que acho inpressionante em Portugal é que, sempre que há uma grave, os números dos Sindicatos e os do Governo são compleamente diferentes, na escala percentual até opostos. Um deles (mais provavelmente até os dois) está declarada e desavergonhadamente a mentir. E dizem o que querem com a maior desfaçatez, impunemente. E tudo fica assim mesmo: alguém mentiu e nunca se apura a verdade (a solução do prof. Marcelo de calcular a média dos dois valores só conduz a uma maior extremismo dos números apresentados de forma a levar a média para mais próximo dos extremos). Quando há greves, nem me dou ao trabalho de escutar os números apresentados por uns ou outros. São sempre falaciosos e tendenciosos. Obviamente que esta adjectivação se aplica aos «debates» que sobre estes «números» depois se fazem...

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