Quinta-feira, 12 de Abril de 2007

Espelhos no tecto

Nunca fui à bola com quem passa a vida a proclamar-se honesto. Ou humilde. Ou integro. Ou outra coisa qualquer que não deve ser avaliada pelo próprio, mas por outrem. Estes tipos que me desculpem, mas é-me indiferente a avaliação que fazem de si mesmos. Não prescindo do meu direito de os avaliar quando lido com eles, e valorizo mais a sua conduta do que as suas proclamações.

 

Este comportamento, que pode gerar desconfianças, origina sempre uma certa irritação. Não tenho muita pachorra para aturar quem se quer fazer passar simultaneamente por actor, por espectador e por comentador dos seus actos. Sempre que os ouço, deixo de estranhar que haja quem mande instalar espelhos no tecto do quarto…

 

Entre os políticos cá do burgo, Paulo Portas é, provavelmente, o expoente máximo deste tipo de proclamadores. Mas não está só. Como se viu na entrevista à RTP, Sócrates não desdenha este tipo de comportamento.

 

Frases do tipo: tenho bem presentes as minhas responsabilidades, tomei uma decisão séria, eu digo honestamente, portei-me com total transparência, o meu exemplo é para ser valorizado, [aqueles que agem como eu] revelam nobreza de carácter, tenho-me portado com superioridade, etc, tresandam a auto-elogio. Usadas com parcimónia, passam despercebidas. Usadas em excesso, dão a impressão de que o seu autor teme que ninguém repare nas suas virtudes se ele não as promover. Ou, então, que o seu ego é maior do que o mundo.

 

publicado por Carlos Carvalho às 03:06
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