Quinta-feira, 29 de Março de 2007

Ventoinhas no castelo

Não há defensor do ambiente que não diga defender o princípio do poluidor-pagador. Não é justo que quem polui o faça impunemente, ou que transfira para outros os malefícios da sua poluição. Por maioria de razão, este princípio deveria ser extensível aos consumidores de energia.

 

Tomemos o caso dos parques eólicos. Quem vai consumir a energia por eles gerada? Não deveriam eles estar o mais próximo possível de quem deles usufrui? Não deveriam ser estes a acarretar com a poluição visual, com a degradação da paisagem?


Não é isto que, regra geral, tem acontecido. As ventoinhas gigantes são normalmente instaladas em sítios ermos, muitas vezes protegidos, onde nada mais se permite fazer. Onde, para quem por lá mora, é praticamente impossível instalar uma pequena indústria, uma pequena empresa (a poluição! Meu Deus, a poluição!) que gere empregos e beneficie a economia local. Não deixa de ser irónico: os habitantes locais não podem corromper a paisagem para benefício próprio, mas permite-se a sua degradação se isso significar um benefício para as cidades vizinhas…

 

Claro que, para instalar um parque eólico, é preciso antes de mais encontrar um sítio alto, ventoso. Ora, vento é que não falta em Lisboa. Nem colinas. Não deveria a população lisboeta consumir energia “limpa”? Não deveria Lisboa contribuir para a sua produção?

 

Em coerência, quem se poderá opor à instalação de um parque eólico no alto do Parque Eduardo VII, no castelo de S. Jorge ou na vizinhança do Cristo-Rei?

 

publicado por Carlos Carvalho às 03:58
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