Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2007

Definições

Portugal tem um património vitícola riquíssimo do ponto de vista genético. As castas autóctones são aos milhares, o que por vezes cria algumas confusões quanto à sua denominação. É frequente dar nomes diferentes à mesma casta, bem como dar o mesmo nome a castas diferentes. Isto exige dos interessados um esforço adicional para evitarem mal-entendidos.

 

O que se passa com as castas também se passa por vezes com as palavras. Por vezes atribuímos significados diferentes à mesma palavra, por vezes usamos palavras diferentes para dizer a mesma coisa. Por vezes, quando conversamos/discutimos com alguém, somos obrigados a fazer uma pausa para esclarecer o significado exacto que cada um atribui a determinadas palavras. Este esforço é quase sempre esclarecedor.

 

Quando discutimos o aborto, há quem fale de despenalização, de descriminalização, de legalização e de liberalização. Estas palavras têm significados distintos mas próximos, por vezes confundíveis. Daí que muitos debates em torno do aborto não passem, afinal, de desentendimentos semânticos. Assim, a bem do esclarecimento do público, seria bom que, antes de começar a debater o aborto, as partes começassem por esclarecer o que estas palavras significam para si.

 

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publicado por Carlos Carvalho às 01:02
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1 comentário:
De venhammaiscinco a 7 de Fevereiro de 2007 às 12:50
Em Democracia, todos temos o direito (apetecia-me dizer ‘o dever de...’) a assumir uma opinião. Como tal, considero tão respeitáveis e válidas as opiniões pelo SIM à despenalização da IVG, como aquelas que, de uma forma coerente e responsável, se batem pelo NÃO.

No entanto, parece-me também que, essa mesma e nem sempre bem tratada democracia, exige que, ao defendermos essa dita opinião, assumamos, em simultâneo, e na totalidade, as consequências da mesma. E é aqui que a firmeza de alguns ‘NÃOs’ começa a vacilar...

Ao defender o SIM, no referendo sobre a despenalização da IVG, assumo sem preconceitos que estou a dizer que as mulheres que decidem interromper a gravidez até às 10 semanas (qualquer que seja a causa dessa opção), não devem ser, de modo algum, penalizadas por isso. Estou também a assumir que essa interrupção pode (apetece-me de novo dizer ‘deve’) ser realizada numa unidade do Serviço Nacional de Saúde (desde que esse seja o desejo da mulher), em perfeitas condições higiénico-sanitárias. Ao assumir isto, autorizo, com certeza, que uma parte dos meus impostos seja gasta para garantir a dignidade das mulheres e resolver um problema premente de saúde pública. Mas assumo também que estou a dar prevalência ao valor da maternidade responsável e desejada, relativamente a um embrião em estágio muito precoce do seu desenvolvimento. Mas se lhe quiserem chamar uma forma de vida, então eu também assumo, de novo sem preconceitos, que privilegio a vida numa forma mais ampla, mais completa, recheada de afectos, sem culpas e sem traumas. Mesmo que aumentem o dramatismo da situação e acrescentem um coração a bater, eu continuo, sem remorsos, a considerar também os outros corações e a afirmar que um coração sem afecto, pode bater, mas não VIVE.

Era esta frontalidade que eu gostaria de ver nos defensores do ‘Não’. Mas, na maioria das intervenções ela não só está ausente, como o que emerge é uma hipocrisia beata, que se quer fazer passar por benfeitora.

Ainda não percebi muito bem: os defensores do ‘Não’, não querem ver as mulheres na cadeia (é uma coisa feia, que não fica nada bem defender...), mas também não querem que se altere a lei?!... Estranho?! Pois..., mas, na cabeça desta gente, não é incompatível... Então o que defendem é assim uma coisa meio cinzenta (e ilegal, já agora), em que a lei – no papel - penaliza (para preservar as nossas consciências, é sempre bom), sujeitando as mulheres a uma pena até 3 anos de prisão, mas depois, nos tribunais – isto é, na prática – deverão existir uns juízes muito bonzinhos, que fecham os olhos à lei, e, de forma caridosa (e se possível deixando uns bons conselhos para orientar a vida dessa mulher perdida), dizem que, afinal, era só para assustar. E, pronto!, depois deste final feliz, as nossas consciências podem de novo dormir descansadas!

Então a estes eu digo: as mulheres (porque assumem os seus deveres) querem ter direitos, não querem caridade!

Caros defensores do ‘Não’, assumam com coerência as vossas legítimas opiniões. Tenham coragem de dizer que para vocês a vida de um embrião é tão relevante, que justifica que uma mulher que interrompe uma gravidez seja julgada em tribunal e cumpra uma pena de prisão, que pode ir até 3 anos!

Eu sei que as vossas consciências não ficarão tão tranquilas, mas, pelo menos, merecerão mais respeito.

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