Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2007

Ridículo

“Mon Dieu, rendez nos ennemis bien ridicules!” – Voltaire

 

A discussão em torno do aborto sempre dividiu as opiniões. Aqui e em qualquer parte do mundo. Esta é uma daquelas situações em que, estando em conflito valores distintos, obriga os cidadãos a escolherem qual deles é para si o mais importante. Cada cidadão, em virtude da sua formação, do seu percurso de vida, das suas convicções, dos seus interesses, faz a escolha que entende mais apropriada. Ninguém é melhor ou pior cidadão por escolher o lado que bem entender.

 

Isto é tudo muito bonito, mas não garante necessariamente elevação no debate. Nestes, frequentemente, o objectivo mais importante é a vitória, e não a troca de argumentos. E uma das tácticas mais usadas para a conseguir passa pela ridicularização de quem se nos opõe.

 

Ridicularizar o adversário traz inúmeras vantagens. Desvia o debate da essência para a aparência. Faz com que se preste menos atenção aos argumentos que nos são contrários. Mascara as dúvidas que tenhamos sobre os argumentos que nos são favoráveis. Faz-nos sentir superiores.

 

Compreende-se assim tanto insulto, tanto “hipócrita!” para aqui e para ali, tanto “nós somos os bons e vós os maus” de cada vez que se discute o aborto. Porque o importante não é discutir o aborto. O importante é ganhar. Fazer vingar o nosso ponto de vista.

 

Táctica velha. Táctica conhecida. Procuro resistir-lhe, e imunizar-me contra quem a usa. Sigo por isso uma regra: parto do princípio de que quem recorre a este tipo de argumentos não nem nada de verdadeiramente importante a dizer.

 

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publicado por Carlos Carvalho às 23:20
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1 comentário:
De psi2 a 20 de Janeiro de 2007 às 02:31
A Lei do Aborto

A Lei do Aborto

O REFERENDO sobre o aborto vai realizar-se novamente. Se votarem mais de metade dos portugueses o resultado é vinculativo. Se ganhar o SIM o aborto será legalizado. Se ganhar o NÃO, as forças pró-aborto vão pressionar o governo de forma a desvalorizar o referendo e legalizá-lo de qualquer forma. Conclusão: o referendo é um desperdício de tempo e de verbas.

O ABORTO já está previsto legalmente para as situações mais delicadas. Com a legalização que se pretende com este referendo o que vai acontecer é que as mulheres que vão a Espanha abortar já não terão necessidade de ir, e as que abortam ilegalmente em Portugal já não serão condenadas.

AS MULHERES não engravidam sós. Os filhos gerados nunca são só delas. Ainda que tenham condições para tomar a decisão de abortar, não lhes devia ser permitido fazê-lo isoladas. Ainda que a gestação aconteça apenas no corpo delas, a geração começou com a união dos corpos, que elas aceitaram. Os homens também deviam ser chamados à responsabilidade.

A LEI é igual para todos. Este é um chavão assumido. E é ele que produz a injustiça. Porque as mulheres da classe alta saem de Portugal para abortar os filhos que podiam – mas não querem – criar, e permanecem impunes. Enquanto que as mulheres da classe baixa abortam em Portugal os filhos que não podem criar e são condenadas. A lei, para ser justa, devia deixar de ser igual para todos, condenando as mulheres que abortam e têm condições para criar os filhos, e ajudando as mulheres que engravidam e não têm condições para criar os filhos.

OS VALORES em questão são mais económicos que humanos ou morais. Aqueles que defendem o aborto apenas desejam o próprio bem-estar, com comportamentos sexuais irresponsáveis, pois para ajudar as mulheres desprotegidas deviam antes investir na prevenção da gravidez, num melhor planeamento familiar, relacional e sexual, criando nelas mais auto-domínio para responderem de forma menos instintiva e irresponsável aos desejos sexuais próprios e dos outros.

A VIDA é demasiado especial e séria para que se brinque com ela. Quem a defende não precisa de se preocupar com este referendo porque, legal ou ilegal, o aborto nunca fará parte da sua realidade pessoal. As mulheres que abortam, e os homens que as apoiam, apenas provam a incapacidade para dominar os instintos de que a natureza lhes proveu. Aqueles que não chegam a nascer seriam infelizes ao saber que assim eram os seus pais.

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