Terça-feira, 12 de Dezembro de 2006

Pinochet

Vilões absolutamente maus só existem nalguns alguns livros e filmes para criancinhas. As coisas são mais complexas no mundo real, em que não raras vezes os vilões têm várias facetas benignas – algumas até recomendáveis.

 

Morreu Augusto Pinochet. Há no Chile quem chore, e há quem festeje. Uns choram a partida de um patriota, outros festejam a morte de um assassino. E, em certa medida, ambos os lados têm razão.

 

Pinochet foi um patriota. Governou convencido de que estava a fazer o melhor para o Chile. Salvou o país de uma aventura comunista. Transformou uma economia desfeita numa das mais saudáveis da América do Sul. Deixou o poder sem nomear o seu sucessor, acatando a vontade do povo e aceitando a transição para a democracia (coisa rara num ditador).

 

Só que, pelo caminho, permitiu e promoveu a violação dos direitos humanos. Não me refiro à morte de Salvador Allende, historicamente desculpável no contexto de um golpe de Estado (estes envolvem frequentemente a morte dos líderes depostos). Refiro-me à prática continuada de torturas e homicídios que se tornou na imagem de marca do seu regime.

 

Por muito patrióticos que (na sua opinião) fossem os seus fins, os meios a que recorreu são pura e simplesmente indesculpáveis. É isto que o torna num vilão, e que torna irrelevantes as suas virtudes e tudo o que de bom tenha feito em prol do seu país.

 

Morreu Pinochet. Morreu um grande do Chile. (E) Um grande filho da puta.

 

publicado por Carlos Carvalho às 02:33
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