Sexta-feira, 20 de Outubro de 2006

Filho pródigo, pecado original

A decisão do governo de introduzir portagens em algumas SCUT’s tem uma vertente positiva e uma negativa, ambas retratáveis por duas histórias bíblicas.

 

Para a vertente positiva podemos usar o regresso do filho pródigo. O governo reconheceu o óbvio: é preferível que as SCUT’s sejam pagas pelos utilizadores do que pelos contribuintes, sobretudo quando o país luta para equilibrar as contas públicas. O governo reconhece os seus erros (e acusa os cometidos por outros), e está disposto a retractar-se. O que só pode causar alegria entre quem sempre defendeu o que o governo agora diz querer defender.

 

Para a vertente negativa podemos usar o pecado original. Este é o principal problema deste governo: ter um pecado original. Pelo que prometeu em campanha eleitoral sabendo que não o iria cumprir. Pela forma irresponsável com que muitas vezes fez oposição aos governos anteriores, insultando medidas e políticas que, uma vez governo, no essencial veio a adoptar. Pela actuação que muitos dos actuais governantes tiveram em governos passados, tentando agora arrumar aquilo que ajudaram a desarrumar.

 

O governo tomou uma boa medida. O governo mentiu para ganhar eleições. Estas frases, de sentido contrário, aplicam-se ambas à mesma decisão governativa. O que importa saber é a qual destas frases vai o eleitorado dar mais importância.

 

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publicado por Carlos Carvalho às 02:19
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