Quinta-feira, 27 de Julho de 2006

Visado pela censura

É frequente ouvirmos nas reportagens oriundas do Líbano que o Hezbollah não permite que se filmem certos locais, e que leva os repórteres a visitar outros. Não me espantaria se algo parecido ocorresse do lado israelita.

 

Como é habitual nos cenários de guerra, os repórteres buscam (alguma) protecção junto dos beligerantes. Como é habitual nestes cenários, os militares (com ou sem aspas) controlam os movimentos dos jornalistas, não lhes permitindo que passem certas informações e incentivando-os a passarem outras. Como é habitual nestas situações, os jornalistas têm de aceitar a censura que lhes é imposta para poderem realizar o seu trabalho. Como infelizmente começa a ser habitual, o público consumidor destas notícias não é informado sobre a existência desta censura.

 

No antigo regime existia censura em Portugal, mas pelo menos esse facto era conhecido dos consumidores de notícias. Não havia informação livre, mas todos sabiam que existia censura, pelo que quem via, lia ou ouvia notícias sabia que estas correspondiam a uma versão enviesada da realidade. Nas reportagens de guerra actuais também a informação não é livre, mas raramente se dá disso conhecimento ao público. O enviesamento persiste, mas o público não é alertado para esse facto.

 

Não será obrigação dos media informar que determinada reportagem não foi produzida com total liberdade? Não estarão os media a colaborar com os censores ao não revelarem que determinada reportagem foi censurada?

 

publicado por Carlos Carvalho às 00:04
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