Sábado, 22 de Julho de 2006

Aplausos do PS

Srs. Membros do Governo: Estamos a viver uma situação que ninguém de bom senso podia imaginar. Confesso que eu própria, discordando das vossas perspectivas para a educação, não podia imaginar que os Governos do PSD e do PP, em pouco mais de dois anos, conseguissem fazer voltar a vida das escolas a tamanha desorganização. Quando se considera que a qualificação dos portugueses deve ser uma prioridade nacional responsável (e aí estamos todos de acordo), não é admissível que a vossa incompetência provoque retrocessos tão dramáticos.

 

No passado mês de Maio afirmei nesta Assembleia que o Governo dava ao País um triste espectáculo de incapacidade na gestão corrente da educação. Ora, é com isso que hoje estamos confrontados. Erros que atingem professores e alunos e atingem, sobretudo a credibilidade da gestão educativa, impedindo que se avance para uma melhor educação.

 

Penso que esta questão deveria merecer a vossa atenção. É que este não é um processo técnico qualquer. O Ministério da Educação é, como sabem, geralmente mal considerado na imprensa, porque as críticas à educação são muitas e há a expectativa de que consigamos resolver os problemas da nossa educação e avançar para uma melhor qualidade. Só que, em vez de serem dados passos nesse sentido, verificamos que, em dois anos, voltámos à "Idade da Pedra". Isto é dramático, é grave e é da vossa responsabilidade política. Estamos a falar da gestão da educação que toca milhares de pessoas. Se era um processo muito complicado e complexo, o Ministério tinha a responsabilidade de o preparar.

 

Sr.ª Ministra, construir alternativas válidas em educação é um trabalho exigente e demorado, que não se avalia no quadro de uma legislatura, mas pôr o sistema de "pernas para o ar" é rápido e custa milhões, não só financeira como socialmente. Todos pagamos, Srs. Membros do Governo, Sras. e Srs. Deputados. Num País que precisa de educação "como de pão para a boca", os senhores, que tanto criticam governos passados, não têm o direito, face ao País, de continuar a acumular erros e a tratar a educação como uma questão menor.

 

Sr.ª Ministra, a competência não é um atributo para anunciar; a competência é um elemento fundamental da acção e o que este processo revela é uma imensa, incompreensível e insuportável incompetência de que terão de prestar contas políticas a esta Assembleia e ao País.

(Aplausos do PS.)

 

Resumo de uma intervenção de Ana Benavente (PS) na Assembleia da República, a propósito do processo de colocação de professores, 2004-09-02.

 

publicado por Carlos Carvalho às 03:00
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