Sábado, 22 de Julho de 2006

A gota de água

Penso ser pacífico considerar que a operação militar israelita estava preparada há já algum tempo, à espera do dia em que fosse necessário recorrer a ela. Israel conteve-se enquanto assistia ao descarrilar do processo de paz. Conteve-se enquanto assistia ao manter (reforçar?) do arsenal do Hezbullah. Conteve-se enquanto sofria frequentes atentados terroristas. Mas achou que já não se podia conter mais quando operacionais do Hamas e do Hezbollah entraram em território israelita para raptar três soldados.

 

À primeira vista, estes raptos parecem coisa pouca, e a reacção de Israel desmesurada. Contudo, começamos a mudar de opinião se olharmos para estes raptos não como um acto isolado, mas como a gota de água que fez transbordar o copo.

 

Israel não pode dar de si uma imagem de fraqueza e de vulnerabilidade. Por isso, há limites que não podem ser ultrapassados.

 

Perante a actual situação, Israel tem três opções: aceitar que o copo transborde (o que lhe seria fatal), contentar-se com o retirar da última gota (talvez a solução mais rápida para esta crise) ou exigir que o copo se esvazie mais um pouco (o que poderia prolongar a situação actual, garantindo embora uma “paz” mais duradoura).

 

Já agora: fala-se em constituir uma força internacional para servir de tampão entre Israel e o sul do Líbano. Apetece perguntar: que países estariam em condições de contribuir com militares para esta força?

 

publicado por Carlos Carvalho às 01:29
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