Segunda-feira, 26 de Junho de 2006

Deco

Dado o seu extraordinário talento, parece já esquecida a polémica em torno da chamada de Deco à Selecção. Não por os críticos terem mudado de opinião, mas simplesmente porque lhes dá muito jeito assobiar para o lado.
 
Recuemos uns anos. “Um jogador naturalizado na Selecção? Ao que chegou o nosso país!”. Não faltou quem criticasse a chamada de um cidadão nacional à Selecção. Segundo muitos, o facto de Deco ter a nacionalidade portuguesa não faz dele um português. E muito menos um português digno de representar Portugal.
 
Este episódio ajuda a perceber muita coisa. Para muitos portugueses, a Selecção tornou-se um símbolo maior do nosso país, na qual só deveriam ter lugar os mais talentosos dos portugueses “de gema”. Pelo contrário, a nacionalidade é encarada como uma coisa banal, oferecida ao desbarato, e quem a adquire por naturalização só muito dificilmente será considerado “um dos nossos”.
 
Confesso que perfilho uma opinião contrária. A nacionalidade portuguesa deve ser dada com ponderação. Mas, uma vez obtida, deve conferir ao seu titular os mesmos direitos e as mesmas obrigações dos demais cidadãos nacionais.
 
O Deco quer ser português? Estude-se a sua pretensão e decida-se em conformidade. O Deco conseguiu a nacionalidade? Então que não seja discriminado. A nacionalidade é mais importante do que uma internacionalização.
 
O exemplo de Deco é bom e é mau. É bom porque o seu extraordinário talento permitiu derrubar barreiras e preconceitos. É mau porque, se fosse um jogador apenas tão bom como os outros, jamais seria chamado à Selecção (como muitos outros não foram).
 
Infelizmente, para um naturalizado ser considerado português não lhe basta ser tão bom como os outros. Para ser considerado português, precisa de ser melhor do que os demais. Caso contrário, será sempre visto por muitos como um cidadão de segunda.
 
Falemos agora de integração...

 

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publicado por Carlos Carvalho às 03:26
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