Sexta-feira, 2 de Junho de 2006

Teleiniciativas

“Preocupados com o que está a acontecer em Timor, os jovens universitários portugueses estão a organizar-se num movimento espontâneo, e decidiram enviar para os jovens timorenses uma mensagem, que foi lida esta tarde junto à Torre de Belém. Os estudantes portugueses que participaram nesta cerimónia queriam demonstrar aos jovens que se encontram no território que é possível acreditar no futuro. No final da cerimónia simbólica junto à Torre de Belém, foi entregue à embaixadora de Timor-Leste em Portugal, Pascoela Barreto, uma declaração para que todos se unam contra a violência. Os jovens universitários pretendiam que esta iniciativa fosse mais representativa do que quantitativa.” – Telejornal, 2006-06-01
 
Enquanto era lida esta notícia, foram mostradas imagens da referida iniciativa, que não passou de um punhado de estudantes a passearem-se junto à Torre de Belém agitando uma bandeira portuguesa, uma bandeira timorense e uma ou outra tarja.
 
A questão não está na bondade da iniciativa (apesar das sua flagrante inutilidade). A questão está em saber porquê que esta notícia mereceu honras de transmissão no Telejornal. Vejamos:
 
1. Se eu pegar em duas bandeiras e meia dúzia de amigos e for passear para a Torre de Belém, não creio que o Telejornal se interesse muito pelo assunto. Mas se eu me apresentar como representante dos estudantes, e se mandar na véspera um fax para a RTP informando-a de uma manifestação estudantil, o caso muda de figura. Querem aparecer na TV? Fácil: façam constar que representam qualquer coisa.
 
2. Quem conseguir juntar Timor, declarações vagas e demagógicas e jovens ingénuos na mesma iniciativa, conseguirá também chamar a atenção dos media. Não é necessário juntar muitas pessoas.
 
3. “Uma iniciativa mais representativa do que quantitativa”. Por outras palavras, a iniciativa foi um fiasco. No mínimo, pode questionar-se a representatividade deste movimento no mundo estudantil.
 
4. Quem noticiou preferiu ignorar este facto. Pelo contrário, preferiu vender-nos a sua visão pseudocorporativa da sociedade. Preferiu dizer que os manifestantes eram poucos, mas representavam muitos.
 
5. Os organizadores parecem ter objectivos claros para a sua vida. Enquanto não acabam o curso, afectam uma representatividade que não têm. Depois de se formarem, querem ser sindicalistas.
 
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publicado por Carlos Carvalho às 00:32
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