Quarta-feira, 17 de Maio de 2006

Selecção e equipa

A palavra “selecção” sugere-nos que alguém escolheu um número determinado de elementos de entre os melhores disponíveis. À primeira vista, parece óbvio que a Selecção Nacional deve ser composta pelos futebolistas que melhor estão a jogar num determinado momento. Só que as coisas não são tão óbvias. A Selecção Nacional não é um mero quadro de honra, nem uma banal lista de candidatos a um qualquer prémio desportivo. A Selecção Nacional deve ser, antes de tudo, uma equipa.
 
Por definição, um sistema é o conjunto dos seus componentes e das suas relações entre si. De igual modo, uma equipa de futebol é um conjunto de jogadores, dirigentes e técnicos, e da forma como se relacionam. Há bastantes exemplos de aglomerados de nomes sonantes que nunca chegaram a ser uma equipa, tal como abundam exemplos de grandes equipas compostas por jogadores que quase ninguém conhece.
 
Ao elaborar uma convocatória para a Selecção Nacional, o seleccionador tem que ter em mente estes dois factores: tem que escolher jogadores que sejam bons de per si, mas que sejam igualmente bons para o colectivo. Se eu fosse o seleccionador não teria escolhido os mesmos jogadores do que Scolari. Mas eu não sou o seleccionador. Conheço a maioria dos jogadores apenas por os ver jogar na televisão. Nada sei das suas personalidades e do que se passa nos bastidores.
 
Tal como aquando do Europeu, parece-me que alguns se estão a distanciar do seleccionador e da Selecção. Talvez para poderem dizer “eu bem que avisei” se as coisas correram mal. Talvez para não caírem no esquecimento quando começar a época pós-Scolari. Mas veja-se o que se passou no Europeu. Após a derrota inicial com a Grécia, muitos destes ratos pré-naufrágio criticaram violentamente a Selecção e as escolhas do seleccionador. Scolari acusou o toque, e redesenhou a equipa mais ao gosto de quem o criticava. Resultado: nova derrota perante a mesma Grécia.
 
Scolari pode estar enganado, mas nada garante que os seus críticos estejam mais certos do que ele. Por isso, apesar de não concordar com algumas escolhas, prefiro acreditar que estas são suficientemente acertadas para que a Selecção consiga um bom resultado. Prefiro apoiar desde já a Selecção. Recuso-me a ficar numa posição calculista, que tanto pode servir para dar palmadinhas nas costas como para nelas espetar violentas facadas.
 
Eu acredito na Selecção. Ponto final parágrafo.
 
tags:
publicado por Carlos Carvalho às 02:04
link do post | comentar | favorito
|

.autor

. Carlos Carvalho

. cesaredama@sapo.pt

.pesquisar

.artigos recentes

. Elites à rasca?

. Versões de Portas

. A maior de sempre?

. Fama

. Passos

. Escalões

. Obrigadinho

. Não entendo

. Coincidências

. O aleijadinho de Alijó

. Humor negro

. Calendário

. Manuais escolares em .pdf

. Guerra ao imposto

. Cuidado com os ciclistas ...

.arquivo

.sugestões

blogs SAPO

.subscrever feeds