Terça-feira, 16 de Maio de 2006

Duas senhoras

A península do Iucatão foi visitada o ano passado por duas senhoras, Emily e Wilma, que não deixaram saudades. Estes dois furacões causaram grandes estragos, dos quais a região ainda não recuperou totalmente.
 
Primeiro veio o Emily, que afectou sobretudo a zona mais a norte (Cancun). Veio e passou. Voaram alguns telhados, caíram algumas árvores, muitos turistas tiveram de ser evacuados. Nada a que esta região não esteja habituada. Reconstruiu-se o que foi destruído, e a vida regressou ao normal.
 
Só que, semanas depois, chegou o Wilma. Chegou e ficou. Durante três dias ninguém pôde sair de casa, tal era a força da tempestade. Mas o pior veio a seguir. Depois de tão prolongada estadia, o Wilma deixou marcas na paisagem, nas casas, nos hotéis e na memória dos muitos que nunca tinham experimentado um furacão com esta violência (a maioria a população).
 
O que tinha acabado de ser reconstruído foi novamente destruído. O que o Emily não tinha afectado não teve a mesma sorte com o Wilma. As populações tiveram que viver dias a fio sem água ou electricidade.
 
O Wilma teve um grande impacto na natureza. As praias de Cancun quase que desapareceram, o que obrigou à realização de dragagens para reconstruir os tão famosos areais. A vegetação foi afectada pelos ventos, mas também pelos três dias de dilúvio de água salgada. Como resultado, muito do verde deu lugar a tons mais acastanhados, indicando árvores despidas, derrubadas ou mortas. Os pássaros fugiram, e só voltarão em força quando a floresta recuperar.
 
Mas o Wilma afectou também as pessoas. Compreensivelmente, o governo deu prioridade ao restabelecimento do abastecimento de água e luz e à reconstrução das casas afectadas. Os hoteis tiveram que esperar, e que se entender com seguradoras pouco interessadas em acelerar o pagamento de indemnizações. Só que quase toda a população depende do turismo, e quase todos os hotéis foram obrigados a fechar (muitos ainda não reabriram). Resultado: a esmagadora maioria da população ficou mais de três meses sem poder trabalhar.
 
Aos poucos a vida vai voltando ao normal no Iucatão. Aos poucos, as cicatrizes vão desaparecendo das infra-estruturas e da paisagem. Mas estas duas senhoras tão cedo não serão esquecidas por quem teve que as aturar.

 

publicado por Carlos Carvalho às 00:11
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