Sábado, 6 de Maio de 2006

Besta e bestial

Não é possível contar a história do Iucatão sem referir o nome de uma personagem: Diego de Landa.
 
Cristão fervoroso e bispo do Iucatão, Diego de Landa procurou espalhar a fé cristã e combater a idolatria. Como muitos maias continuassem a adorar os seus deuses, Diego de Landa mandou queimar milhares de ídolos e dezenas de livros, talvez convencido de que as representações da serpente emplumada (Kukulcan, o equivalente maia de Quetzalcoatl) não passariam de evocações do diabo. Como resultado, perderam-se irremediavelmente muitos escritos e registos históricos da civilização maia.
 
Anos depois, tentando porventura corrigir os seus exageros, escreveu um livro chamado “Relação das Coisas do Iucatão”, que legou à História um valioso testemunho directo de várias facetas da cultura maia: os seus costumes, a sua religião, as suas lendas, as suas ciências, o seu calendário e até um arremedo do seu sistema de escrita.
 
Diego de Landa ficou assim para a História como uma figura fascinante, reconhecida simultaneamente como vilão e como herói. Deve-se a ele muito do que se sabe sobre os maias. E também muito do que nunca se saberá.
 
 
publicado por Carlos Carvalho às 18:59
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