Quinta-feira, 6 de Abril de 2006

Denúncia e suspeita

Há dias, a SIC emitiu uma reportagem “bombástica” sobre a falta de higiene de alguns restaurantes chineses. Esta reportagem, em que os repórteres acompanharam uma brigada de inspectores, foi ilustrada por imagens chocantes, capazes de revoltar o mais resistente dos estômagos. Na sequência destas inspecções, alguns restaurantes foram mesmo encerrados.
 
O problema é que a SIC, por falta de tomates ou por vontade de sensacionalismo, não chamou os bois pelos nomes, isto é, não identificou os restaurantes em que foram detectadas as irregularidades. Como consequência, deixou sob suspeita todos os restaurantes chineses do país.
 
Resultado: no espaço de uma semana, os restaurantes chineses viram cair a sua facturação em cerca de 50% - notícia amplamente difundida pela SIC, aparentemente satisfeita com o impacto da sua reportagem.
 
Por falta de vontade ou de coragem, a SIC preferiu prejudicar inocentes em vez de apontar os culpados. Preferiu a suspeita em vez da denúncia. Preferiu o sensacionalismo em vez da notícia.
 
Talvez tendo em vista colaborações futuras com os inspectores, a SIC esqueceu-se de denunciar a outra face da moeda: a falta de inspecções e a incúria das autoridades.
 
Como foi possível a estes restaurantes manterem as portas abertas durante anos a fio sem serem importunados pelas autoridades?
 
Que confiança é que podemos ter nas autoridades fiscalizadoras em Portugal?
 
Quando é que a SIC irá colocar estas questões?
 
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publicado por Carlos Carvalho às 23:38
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