Quinta-feira, 23 de Março de 2006

Amor e tréguas

A ETA, essa organização beneficente, resolveu demonstrar o seus mais nobres princípios humanitários declarando um cessar-fogo permanente.

 

A tudo isto não deve ser alheio o facto de na Espanha grassar neste momento um clima político centrífugo, em que as organizações “separatistas” que optaram pela luta exclusivamente política estão mais próximas do que nunca de atingir alguns dos seus objectivos. O que a ETA não conseguiu pela força das bombas, outros estão a consegui-lo pela força dos seus argumentos e pela força dos votos.

 

Também não deve ser alheio a este cessar-fogo o facto da ETA estar praticamente desmantelada e desacreditada - mesmo entre aqueles que diz defender. A ETA só contribuiu para enxovalhar o bom-nome de toda uma região (país?) em que todas as conquistas autonómicas foram conseguidas apesar da sua actuação.

 

O que a ETA apelidou de cessar-fogo permanente não passará, segundo creio, de uma trégua temporária (até porque não se desarmou). Se houver avanços políticos, a ETA quererá certamente figurar entre os vitoriosos. Se estes não ocorrerem, a ETA não hesitará em voltar a recorrer ao terrorismo, após uma pausa absolutamente indispensável para a sua reorganização.

 

Há quem diga que o amor é eterno enquanto dura. Pelos vistos, os cessar-fogos também.

publicado por Carlos Carvalho às 00:17
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