Quinta-feira, 16 de Março de 2006

O buraco

Marques Mendes e Ribeiro e Castro têm em comum o facto de serem líderes de partidos derrotados nas últimas legislativas. Partilham também o facto de se queixarem de oposições internas que lhes dificultam a vida e retiram brilho às suas lideranças.

 

No futebol, após uma derrota há sempre treinadores a queixarem-se do relvado, do adversário, da falta de sorte, da pouca vontade de alguns jogarem em prol da equipa, dos erros do árbitro e até do sistema. Por muito justas que sejam algumas destas queixas, estas servem sempre para camuflar o óbvio: o treinador foi incapaz de implementar uma estratégia que permitisse ultrapassar as adversidades.

 

No caso destes dois líderes, o recurso a estas desculpas tem a agravante de eles conhecerem de antemão as adversidades com o que poderiam contar. Quando assumiram a liderança, ambos sabiam que iriam herdar partidos em plena ressaca de poder e estruturados pelas lideranças anteriores. Marques Mendes e Ribeiro e Castro sabiam que não poderiam escolher com quem queriam trabalhar, sendo muitas vezes obrigados a trabalhar com quem nunca escolheriam.

 

Mesmo assim candidataram-se, julgando-se suficientemente fortes para ultrapassar estes obstáculos e sabendo-se suficientemente fracos para assumirem a liderança noutras circunstâncias. A história dos vários partidos não augura nada de bom para este tipo de líderes. Mesmo assim, Marques Mendes e Ribeiro e Castro entenderam valer a pena desafiar as probabilidades.

 

Agora não se queixem. Não afectem surpresa pelo que se está a passar. Ambos conheciam o buraco em que se meteram. Se não conseguem sair dele, a culpa não é certamente do buraco...

publicado por Carlos Carvalho às 01:06
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1 comentário:
De rodrigo.martins@gpcb.pt a 17 de Março de 2006 às 15:57
Há, contudo, diferenças entre ambas as lideranças: Marques Mendes é um collateral damage do estilo demo-liberal do Governo do Eng. Sócrates. Paga porque o Governo tem passado uma imagem positiva. Por outro lado, A oposição que enfrenta, por muito que se bata pelas directas, é folclórica e ninguém a pode levar a sério; Já Ribeiro e Castro é, mais do que um erro de casting, um "não ser", para aplicar linguagem heideggeriana. O por si denominado "bando da AR" derrubá-lo-á quando quiser.

Rodrigo

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