Terça-feira, 14 de Março de 2006

Conversa

Regra geral, o primeiro ano do governo tem merecido balanços positivos. De facto, aumentou a estabilidade institucional, foram lançadas algumas reformas e cresceu o clima de confiança na opinião publicada. Não há dúvidas de que o governo tem sabido trabalhar a sua imagem.

 

O problema é que estes balanços focaram na sua generalidade aspectos intangíveis, ignorado muitas vezes os indicadores concretos que normalmente são utilizados aquando destas efemérides. O problema é que, se atentarmos a alguns destes indicadores, este ano não foi particularmente famoso.

 

Vejamos: neste ano aumentaram os impostos, a carga fiscal, o desemprego, o défice, a crispação social e as assimetrias regionais. Por outro lado, diminuíram os salários reais, o investimento, os serviços disponibilizados pelo Estado e as garantias face ao futuro. Finalmente, manteve-se o clientelismo e o marasmo no sistema judicial.

 

Passado um ano de governo, os portugueses estão a pagar cada vez para terem direito a cada vez menos. A continuarmos por este caminho, não faltará muito para que nos interroguemos: “mas afinal os meus impostos servem para pagar exactamente o quê?”

 

Como cidadão, o único balanço que me interessa é saber se a economia está melhor ou pior, se tenho mais ou menos dinheiro no bolso e se o Estado está a usar melhor ou pior os meus impostos. Com o devido respeito, tudo o resto é conversa.

publicado por Carlos Carvalho às 01:20
link do post | comentar | favorito
|

.autor

. Carlos Carvalho

. cesaredama@sapo.pt

.pesquisar

.artigos recentes

. Elites à rasca?

. Versões de Portas

. A maior de sempre?

. Fama

. Passos

. Escalões

. Obrigadinho

. Não entendo

. Coincidências

. O aleijadinho de Alijó

. Humor negro

. Calendário

. Manuais escolares em .pdf

. Guerra ao imposto

. Cuidado com os ciclistas ...

.arquivo

.sugestões

.sugestões

blogs SAPO

.subscrever feeds