Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2005

A opinião da Igreja

Desde já um pequeno aviso: sou de direita, apartidário e agnóstico.

Ouvimos nos últimos dias algumas críticas da esquerda à posição do pároco de São João de Brito, o padre Lereno. Este sacerdote exprimiu em homilia as suas opiniões sobre o aborto e outras questões éticas e a sua relação com o sentido de voto nas próximas legislativas.

Divido estas críticas em dois tipos: as legítimas e as ilegítimas. As críticas legítimas foram as que apontaram a liberdade de pensamento dos crentes, pelo que a opinião de um sacerdote ou da hierarquia eclesiástica nunca poderá ser tida como vinculativa. As ilegítimas foram as que atacaram o direito da Igreja em exprimir e defender publicamente a sua opinião.

Foi curioso ouvir estes últimos atacar o direito da Igreja a defender os valores em que acredita, quando ainda há um ano usavam a opinião da mesma Igreja como argumento para condenar a guerra no Iraque.

Uma coisa é dizer: "não concordo com a Igreja". Outra bem diferente é dizer: "a Igreja não deve exprimir a sua opinião". Ou será que só tem direito a ter opinião quem concorda connosco?

Acresce que, se hoje vivemos em democracia, tal deve-se em grande parte à acção da Igreja. Portanto, se há direito que a Igreja conquistou no nosso regime, foi o direito a ter opinião.
 

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publicado por Carlos Carvalho às 00:36
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