Quinta-feira, 3 de Março de 2005

Vitorino e o Poder

Com o rigor do costume, o Expresso informou-nos de que a participação de António Vitorino no governo de Sócrates estava praticamente garantida. Parece agora que esta participação está fora de hipótese. Mais uma vez, os boatos só são maus na boca dos outros.


Nunca acreditei que Vitorino viesse a integrar o futuro governo.


Em primeiro lugar, Sócrates só é primeiro-ministro porque Vitorino não o quis ser. Seria estranho que agora aceitasse ser apenas ministro.


Por outro lado, Sócrates apoiou Vitorino para a liderança do PS antes de apresentar a sua própria candidatura. Ao fazê-lo, reconheceu implicitamente que Vitorino seria melhor primeiro-ministro do que ele. Numa equipa, o líder deve ser melhor do que os liderados.


Sócrates ganhou o seu lugar ao sol, pelo que não estará disposto a que alguém lhe faça sombra. Vitorino pode ser pequeno, mas a sua sombra seria enorme. Não tardaria muito até que se ouvissem vozes a desejar outro primeiro-ministro demissionário.


A vida de um político é a luta pelo Poder. Vitorino é um político. O primeiro prémio é sempre mais tentador do que o segundo.


Julgo que, ao recusar ser líder do PS (e por arrasto primeiro-ministro), Vitorino anunciou implicitamente a sua candidatura a Belém. A não ser que estejamos perante um enorme bluff ...

publicado por Carlos Carvalho às 01:46
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