Sexta-feira, 1 de Julho de 2005

Uma gralha na Bíblia

O governo enganou-se nos dados apresentados num dos quadros do Orçamento de Estado. Parece agora que a comissão Constâncio também se enganou a somar parcelas na sua previsão do défice: afinal os 6,83% deveriam ser 6,72%. Em ambos os casos estes enganos foram menosprezados por quem se enganou, justificando-os como gralhas ou simples incorrecções.

O que o governo e o Banco de Portugal parecem não compreender é que o problema não está no erro em si. O problema está na importância dos documentos, bem como no rigor com que supostamente foram elaborados.

Uma coisa é cometer um erro num rascunho informal. Outro é cometê-lo num documento oficial e importante, sobretudo quando os seus autores se gabaram previamente do rigor que usaram na sua elaboração.

Se um escritor conceituado enviar para a sua editora um texto com uma gralha ou com um erro ortográfico, não vem daí grande mal ao mundo. Mas se essa gralha ou esse erro constar no texto final disponibilizado ao público, o leitor retirará as suas conclusões sobre a qualidade do processo de revisão da obra.

Não consta que as tábuas da lei que Moisés recebeu de Deus contivessem gralhas. Porque de duas uma: ou as gralhas passariam a ser a norma (passando o erro a ser lei); ou então ficaria provado que Deus também se engana, deixando por isso de poder ser levado demasiadamente a sério.

publicado por Carlos Carvalho às 01:04
link do post | comentar | favorito
|

.autor

. Carlos Carvalho

. cesaredama@sapo.pt

.pesquisar

.artigos recentes

. Elites à rasca?

. Versões de Portas

. A maior de sempre?

. Fama

. Passos

. Escalões

. Obrigadinho

. Não entendo

. Coincidências

. O aleijadinho de Alijó

. Humor negro

. Calendário

. Manuais escolares em .pdf

. Guerra ao imposto

. Cuidado com os ciclistas ...

.arquivo

.sugestões

.sugestões

blogs SAPO

.subscrever feeds