Sexta-feira, 22 de Julho de 2005

Estilo soviético

O novo ministro das Finanças afirmou que apenas houve uma mudança de caras, não de políticas. O anterior ministro não avançou nenhuma explicação política para o seu pedido de demissão. O Presidente da República não existe nesta história.

Eis aqui uma sucessão ao bom velho estilo soviético. A única diferença é que na URSS alegavam-se problemas de saúde para substituir os governantes. Em Portugal basta alegar cansaço. Não há ninguém que ache que esta história está mal contada?

Este episódio permite retirar algumas conclusões:

- Acabou o mito dos ministros independentes, sobretudo em pastas importantes. Por muito sábios que sejam, não irão a lado nenhum se não tiverem o peso político que lhes permita pôr em prática a sua sabedoria.

- As políticas económica e financeira deste governo não batem certo uma com a outra. Entre a poupança e a despesa, o primeiro-ministro escolheu a despesa.

- Os sacrifícios pedidos aos portugueses servirão apenas para fazer crescer ainda as despesas do Estado. Qual destas frases faz mais sentido: "dêem-nos mais dinheiro para que possamos gastar menos", ou "dêem-nos mais dinheiro para que possamos gastar mais"?

- O governo apresenta sintomas preocupantes de degradação, sobretudo tendo em conta a sua tenra idade. Considerando o que se tem passado em Portugal, temo que em breve as pessoas deixem de pôr em causa os governos e passem a pôr em causa o próprio regime.

- O Presidente da República parece estar a gozar as suas merecidas férias.

publicado por Carlos Carvalho às 01:48
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