Segunda-feira, 26 de Setembro de 2005

Dogma da infalibilidade

O dogma da infalibilidade é um dos dogmas mais conhecidos da Igreja Católica. A discussão de um determinado assunto é bem-vinda no seio da Igreja, só que, uma vez tomada uma decisão pelo Papa, esta tem que ser tomada como boa e não pode ser questionada.

Se substituirmos o Papa pelo povo, podemos dizer que este dogma também se aplica às democracias. Podemos até considerá-lo um postulado de qualquer regime democrático: quando se pronuncia através do voto, o povo nunca se engana. Quanto muito, poderá ser enganado.

Vem isto a propósito das próximas eleições autárquicas. Estamos perante a possibilidade de vários candidatos, tratados na praça pública como criminosos, poderem ganhar as eleições. Perante este cenário, levantam-se já muitas vozes dispostas a passar um atestado de menoridade aos eleitores: como é possível elegerem alguém deste jaez?

Só que, se em democracia o povo é soberano, então insultá-lo pelas suas decisões é um crime de lesa-majestade. A pergunta terá que ser outra:

Sabendo o povo o que sabe, porque não escolheu um dos outros candidatos? Que raio de candidatos é que os partidos andam a apresentar para que o povo os pretira por um escroque?

Ver um candidato (tratado como) criminoso ganhar as eleições será uma enorme humilhação. Não para o povo, mas para os candidatos (e partidos) perdedores.

publicado por Carlos Carvalho às 02:45
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